Barbalho prevê que CPI dos Bancos pode durar até outubro
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Cláudia Carneiro 
Brasília, 14 (AE) - Pode durar até outubro a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, instalada hoje, esticando por seis meses as investigações sobre a conduta do Banco Central (BC) e de instituições financeiras nas operações do mercado que levantaram indícios de favorecimento a banqueiros. Quem admite é o autor da CPI, o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), ao afirmar que "não apostaria um centavo" em qualquer prognóstico sobre o desdobramento das investigações que se iniciam amanhã (15).
Já no primeiro dia de trabalho, os integrantes da CPI dos Bancos mostraram um ritmo acelerado, bloqueando bens e quebrando sigilo dos Bancos Marka e FonteCindam e dos diretores das instituições envolvidos nas suspeitas de favorecimento nas operações de venda do Banco Central (BC).
"Nada vai escapar; tudo o que for indagação sobre atuação do sistema financeiro tem de ser investigado", defendeu Barbalho. Esta é a primeira CPI que a bancada mais fiel ao governo não conseguiu derrubar. Em março de 1996, a oposição fazia a primeira tentativa de criar uma CPI para investigar os bancos. O governo conseguiu abafar com facilidade, como o fez nesta última tentativa do grupo da oposição na Câmara de criar uma CPI mista dos Bancos, semana passada. Embora tenha sido o autor da CPI, Barbalho optou por ficar na suplência da comissão. Mas garantiu que vai atuar intensivamente. "Como líder da bancada, posso interferir sempre", garantiu.
Barbalho deixou de fora da lista do PMDB que integra a CPI o senador Roberto Requião (PMDB-PR), considerado exageradamente polêmico e imprevisível pelos aliados do governo. Na abertura da CPI, Requião apresentou nova denúncia contra o sócio do Banco FonteCindam Eduardo Modiano. Segundo Requião relatou à comissão, Modiano é amigo e ex-sócio do ex-presidente do BC Francisco Lopes, que comandou a operação de socorro ao banco durante a curta gestão na instituição.
Segundo Requião, partiu de Modiano a idéia de propiciar aos Bancos Marka e FonteCindam a compra de dólar do BC a preços menores que os de mercado. Requião afirmou ter recebido denúncia de que Modiano, na mudança da política cambial, telefonou para Chico Lopes com o objetivo de marcar um encontro no Rio, quando pediu socorro financeiro ao banco. Requião listou bens e fatos que teriam levado Modiano a uma situação financeira confortável para comprar parte do FonteCindam, como uma indenização do BC de R$ 50 milhões e sonegação de Imposto de Renda (IR) com a remessa de dinheiro a uma firma fantasma no Panamá.


