Barbalho e ACM faltam à posse de novos ministros
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Isabel Braga, Nelson Breve e Lige Albuquerque 
Brasília, 03 (AE) - Mesmo sendo bastante concorrida e com boa parte dos convidados barrados por falta de espaço, a posse dos ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e da Secretaria-Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, e do secretário especial de Desenvolvimento Urbano, Ovídio de ¶ngelis, foi marcada pela ausência de dois caciques políticos insatisfeitos com o governo: o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), e o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Os políticos profissionais falam até quando não dizem nada", resumiu um importante líder do PFL presente à solenidade de hoje.
Os dois caciques estavam no Brasil e não fizeram qualquer esforço pessoal para comparecer à solenidade, prestigiada pelas cúpula de poder do País: o vice-presidente Marco Maciel, os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Veloso, todos os ministros do governo Fernando Henrique Cardoso e a nata dos parlamentares.
Apesar de estar no Brasil desde hoje, Barbalho alegou atraso no vôo que o trouxe para Brasília na justificativa da ausência dele na posse de dois representantes do PMDB. Quando Fernando Henrique estava concluindo a reforma ministerial, há duas semanas, Barbalho, do exterior, mandou dizer que o PMDB não se responsabilizaria pelas escolhas feitas na mudança.
A ausência de ACM foi uma resposta a Fernando Henrique, em mais um round da briga pela iniciativa do combate à pobreza no Brasil. Na hora da solenidade, o senador estava reunido com os assessores para discutir pontos do projeto de erradicação da pobreza que deverá divulgar quinta-feira (05). Como justificativa para faltar à posse, o senador usou o fato de Fernando Henrique não discursar. "Se o presidente não vai falar
o que eu vou fazer lá?", disse a um assessor. "Eu gosto muito dos discursos do presidente." Na platéia, além de familiares, diversos políticos, numa demonstração de prestígio aa Ferreira, que assume com a função de articulador político do presidente. Mesmo sem ACM, o PFL estava representado pelo presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), e os dois líderes no Congresso. Os principais parlamentares tucanos também compareceram à posse.
No caso do PMDB, além de Barbalho não comparecer, o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), assistiu à solenidade longe dos demais líderes dos outros partidos. Geddel declarou que vai "aceitar" o secretário-geral da Presidência como interlocutor do PMDB para "assuntos gerais". Mas completou: "Os assuntos de interesse direto do partido, é claro
vão ficar na mão do presidente do partido." Mas a presença de vários governadores do PMDB na solenidade foi uma demonstração clara de que não existe uma posição unificada do partido contra as últimas mudanças ministeriais feitas pelo presidente. Estavam presentes, além do governador do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves Filho, conterrâneo do ministro da Integração Nacional, os governadores de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), da Paraiba, José Maranhão (PMDB), e do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB).
No discurso, Bezerra reforçou que a posse na pasta é um gesto de confiança do presidente ao PMDB. "Considero que este ministério, que ora me é confiado, o é também ao meu partido, o PMDB, único a que até hoje me filiei."
Além de Ferreira e Bezerra, tomaram posse hoje os novos secretários de Desenvolvimento Urbano, Ovídio de Angelis - que continua tendo status de ministro e é ligado ao PMDB de Goiás - e do Comunidade Solidária, Osmar Gasparini Terra. Para o evento
foram convidados 3,4 mil pessoas, a maior parte pelo ministro da Integração Nacional. Mas a cerimônia, mais concorrida que a do dia 19, quando foram empossados seis ministros, foi realizada no Salão Oeste. O cerimonial colocou 250 cadeiras e mais 50 pouco antes do evento para o qual compareceram cerca de mil convidados. Como não foi possível acomodar todo mundo, o cerimonial instalou televisões no salão nobre para que todos pudessem acompanhar a rápida solenidade.
Bezerra discursou em nome dos três ministros e afirmou que a missão de articulação política de Ferreira "talvez seja uma das mais espinhosas desse governo". O outro discurso foi feito pelo novo secretário-executivo do Comunidade Solidária, que ressaltou a importância da estabilidade econômica para a realização da ação social do governo. "É hora de mostrar o trabalho maior do social neste governo", disse. Fernando Henrique optou por não discursar e saiu logo do salão, que estava lotado. Os ministros foram então para o salão nobre, na entrada do Planalto, receber os cumprimentos dos convidados, ato que demorou mais que a cerimônia em si.


