Porto Alegre, 29 (AE) - O presidente nacional do PMDB, senador Jáder Barbalho, disse hoje que o governo federal, do qual é um dos aliados, "tem a obrigação de refletir sobre as dificuldades que a sociedade atravessa". Segundo Barbalho, o presidente Fernando Henrique Cardoso "deve se sentir estimulado a fazer as revisões que sejam necessárias". Ele criticou a política de juros e definiu a receita do Fundo Monetário Internacional (FMI) - aumentar juros para evitar a ameaça da inflação - como "muito simplória".
Barbalho afirmou que "o modelo há que mudar" mas não atacou o ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Não analiso política econômica individualizando", esquivou-se. O senador paraense esteve em Porto Alegre como um dos convidados do congresso estadual do partido.
Barbalho classificou como "uma tolice" as acusações de "golpismo" dirigidas contra parte das oposições antes da Marcha do Cem Mil. "A oposição fez a sua parte", comentou. A seu ver, a globalização "é inevitável" mas o país deveria adotar "políticas compensatórias" nas áreas de emprego, saúde e educação para abrandar seus efeitos.
Ele assegurou, porém, que o PMDB continuará no governo FHC, "sem perder sua autonomia de discordar" e terá candidatura própria à Presidência da República em 2002. "Não tivemos (a candidatura) no passado porque o PMDB estava desunido", alegou.
Hoje, a Juventude Peemedebista no Estado propôs o nome do senador Pedro Simon para concorrer à Presidência da República em 2002. Perguntado sobre a proposta, Barbalho elogiou Simon - "Sou seu fã" - mas observou que é muito cedo para qualquer definição. "Não posso, três anos antes do processo eleitoral, definir qualquer nome", ressalvou. Agregou que o senador gaúcho "evidentemente será discutido com outros nomes que poderão ser apresentados". Um deles, de acordo com Barbalho, poderia ser o governador mineiro Itamar Franco.
Sobre o plano plurianual que FHC deverá anunciar na terça-feira, disse saber apenas "linhas gerais" do projeto. Acha que poderá gerar obras importantes para o país e reduzir o desemprego. "Será muito ruim é se o governo ficar acomodado", disse.

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