Rio, 15 (AE) - O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), declarou hoje que a legenda terá candidato próprio à Presidência da República, na próxima sucessão, diferentemente de 1998, quando apoiou os tucanos. O senador explicou que o PMDB não teve candidatura próprio a presidente, em 1998, porque "não estava preparado e estava dividido".
A declaração foi feita um dia depois que o PTB oficializou posição de "independência" em relação ao governo Fernando Henrique Cardoso - com a eleição do deputado José Carlos Martinez (PR) para a presidência do partido. Segundo Barbalho, por enquanto, nada muda na relação com o governo: o PMDB continuará a apoiá-lo. Barbalho falou da nova estratégia do partido durante e depois da festa de filiação à legenda do presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Sérgio Cabral Filho, e outros políticos do Estado, entre eles 11 deputados estaduais e um prefeito. Ele disse que não há contradição entre apoiar o governo agora e lançar candidato próprio em 2002. "Nosso projeto de poder nada tem a ver com o governo", afirmou. O senador disse que o apoio do PSDB na próxima sucessão presidencial seria bem-vindo.
O parlamentar recusou-se a raciocinar com a hipótese de o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), deixar a legenda, se o partido apoiar o governo no segundo turno da votação da volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A ameaça tem sido feita pelo governador.
Barbalho disse que o PMDB votará, no caso, com o governo, mas lembrou que o partido "é solidário e tem procurado ajudar o governador de Minas". De acordo com o senador, Itamar "tem méritos" para ser o candidato do PMDB a presidente em 2002, assim como outros peemedebistas "valorosos".
Além de Barbalho, participaram da festa de filiação, no plenário da Assembléia, os ministros da Justiça, Renan Calheiros
e dos Transportes, Eliseu Padilha, além do líder do partido na Câmara dos Deputados, Geddel Vieira Lima (BA), e dos senadores Luiz Estevão (DF) e Nei Suassuna (PB).
Com a adesão de sete deputados estaduais que eram do PSDB, três do PFL, um do PT do B e um do PL, o PMDB passa a ser a maior legenda da Casa, com 21 parlamentares. Cabral Filho, que teve a candidatura a prefeito do Rio lançada, negou ser candidato.

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