Barbalho diz que ACM deveria zelar pela imagem do Senado
Brasília, 05 (AE) - O presidente nacional e líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), subiu à tribuna do Senado às 15h35, carregando pastas transparentes com documentos. Ele começou o discurso fazendo uma homenagem a todos os parlamentares que foram presidentes do Senado, exceto o atual, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que "agiram com equilíbrio ao longo destes anos". Barbalho eximiu-se de qualquer culpa e disse que, em nenhum momento, ofendeu o presidente do Senado. "Que mal fiz, que deselegância cometi?; eu é que fui agredido." Referindo-se à reunião que ACM teve com sindicalistas na semana passada, na qual o presidente do Congresso afirmou que "Jáder não sabe o que é trabalhar para ganhar dinheiro, nunca teve carteira assinada", ele respondeu que o presidente do Senado deveria zelar pela imagem da Casa e não tem o direito de amesquinhar o debate dessa natureza com sindicalistas. Somente neste momento é que ACM, que assistia ao discurso com indiferença, mas olhando para Barbalho na tribuna. Segundo Barbalho, impedir a candidatura dele à presidência do Senado transformou-se em objetivo de vida de ACM. "É uma coisa extemporânea, intempestiva, como se ele fosse o nosso tutor dirigindo os colegas no plenário", afimrou. Barbalho disse que ACM o atacou para desviar a atenção das denúncias feitas contra ele pela ex-primeira-dama do município de São Paulo Nicéa Camargo Pitta. Chamou a atenção para a "falta de equilíbrio e compostura" de ACM na presidência. Segundo ele, o presidente não tinha o direito de chamar Nicéa de prostituta. "Foi uma exibição de truculência." Barbalho disse que ACM está tentando o envolver em denúncias de corrupção porque, há duas semanas, tramita no Senado uma representação pedindo a perda do mandato dele por causa das denúncias de Nicéa. O senador observou que o presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), nomeou o senador Osmar dias (PSDB-PR) para relatar o processo. "Ele quer-me passageiro de um problema dele; não, senador Antônio Carlos, nessa, o sr. vai sozinho", afirmou. Barbalho cobrou do presidente do Senado o afastamento da presidência da Casa, enquanto este processo estiver em tramitação. "Como pode alguém que está sendo processado e que pode perder o mandato presidir esta Casa", disse Barbalho, recomendando que o afastamento ocorra ainda hoje para não pressionar senadores e funcionários, de forma a que haja isenção no processo. O presidente nacional do PMDB disse ainda que, toda vez que se vê encurralado, "sai com esta história de sigilo e dossiê". Ele lembrou o episódio da liquidação do Banco Econômico, quando ameaçou os diretores do Banco Central (BC). "Ele tem dossiê sobre todo mundo", reclamou. Os dois senadores bateram boca no plenário, no momento em que ACM pediu um aparte, não- concedido por Barbalho. Quando se referiu a Nicéa, o senador do PFL da Bahia respondeu que o processo encaminhado contra Barbalho à Mesa Diretora do Senado mostra "que ela é bem melhor que Vossa Excelência". O líder do PMDB no Senado disse que não pode se defender porque ACM não formalizou as denúncias contra ele. Em relação a duas acusações - caso Aurá e episódio do Banco do Estado do Pará - publicadas hoje na imprensa, ele afirmou que, nas duas, foi absolvido. Neste momento, o senador do PFL interveio, dizendo que o "inquérito sumiu, mas vai aparecer". Ao que Barbalho respondeu: "O que está sumindo é a tranquilidade de Vossa Excelência." Barbalho disse que, se ACM fosse iniciante na vida pública, ele o poderdoaria. "Mas um homem com 50 anos de vida pública tenho dificuldade de perdoar porque essa acusação de desonesto não tem cabimento e ele sabe que quem faz carreira pública é vítima disso", afirmou. Em seguida, o presidente do PMDB enumerou uma série de manchetes de jornais e revistas relacionando o presidente do Senado à corrupção. Barbalho observou que não estava subscrevendo as reportagens publicadas na imprensa e que queria apenas demonstrar que quem faz vida pública não está isento de acusações. O líder do PMDB exibiu recortes de notícias publicadas nos jornais com denúncias sobre o "comportamento agressivo" de ACM, não só com os senadores e deputados e figuras do Judiciário, mas também com membros da cúpula do PFL. Lembrou o incidente, ocorrido no plenário do Senado, em que o senador Ney Suassuna (PMDB-PB) escapou por pouco de levar um soco de Magalhães. "Suassuna só escapou por sua destreza." Neste ponto do discurso de Barbalho, o senador Geraldo Mello (PSDB-RN), que está presidindo a sessão do Senado neste momento, fez um sinal a Barbalho para encerrar o pronunciamento. "Estou para encerrar", disse Barbalho e, em seguida, lembrou que Magalhães xingou o líder do PT, senador José Eduardo Dutra (SE), e que ameaçou cassar a palavra dele no Senado. Lembrou também da deselegância com que Magalhães tratou a senadora Heloísa Helena (PT-AL) no dia em que ela tomou posse no Senado. "Ela foi recebida, com Cala a boca, Cala a boca. Barbalho acusou ainda o senador pefelista de não respeitar sequer a cúpula do PFL. Disse ainda que o presidente Fernando Henrique Cardoso, "aquela pessoa fina no trato, tem padecido também". Segundo Barbalho, ACM tem amesquinhado o presidente, chamando-o de "fraco e vacilante". O presidente nacional peemedebista disse que o senador baiano tentou "armar um circo" para o pôr na companhia dele, durante o processo aberto pelo deputado Paulo Ramos (PDT-RJ), no qual pede a cassação de ACM. O peemedebista ecerrou o discurso, citando música do cantor e compositor Dorival Caymmi, o qual, segundo ele, deve ter se inspirado em ACM: "João Valentão é brigão/ prá dar bofetão não presta atenção nem pensa na vida/ a todos João intimida/ faz coisas que até Deus duvida/...mas nóis não." Ao fim do discurso contra ACM
Barbalho referiu-se a outros episódios, como o bate-boca com o deputado Arthur Virgílio Neto (AM), líder do PSDB no Congresso, as divergências com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), lembrando que, quando "quando faltava argumento ao dr. Antonio Carlos, ele chamou Temer de mordomo de filme de terror". Perguntando: "É assim que se trava um debate com políticos, com colegas?; o Congresso não merece isso, nós não merecemos isso." Em relação ao Judiciário, Barbalho disse que o presidente do Congresso "deveria zelar pela harmonia dos três poderes, mas, ao contrário, não poupa a outra instituição". Sobre o PFL, Barbalho disse que é um partido presidido "pelo gentleman Jorge Bornhausen (SC), pelo diplomata Hugo Napoleão (líder no Senado, do Piauí) e pela figura simpática de Inocêncio Oliveira (líder na Câmara, de Pernambuco)." O presidente do PMDB fez ainda uma homenagem ao PFL, afirmando que Magalhães "não respeita nem a cúpula de seu partido". Ele lembrou o jantar de dirigentes do PFL organizado para discutir o ingresso do então senador Gilberto Miranda (AM) no partido e ao qual o presidente do Senado não compareceu. Na época, segundo Barbalho, Magalhães disse: "Jantar ao qual eu não vou não vale."





