Brasília, 07 (AE) - O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), criticou hoje o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, por querer interferir na escolha do novo diretor da Polícia Federal (PF) e disse que esse assunto diz respeito exclusivamente ao ministro da Justiça, o peemedebista Renan Calheiros, e ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Não tem cabimento essa ingerência indevida do general Cardoso em outra área", atacou o senador. "Se ele se acha no âmbito de indicar o diretor da Polícia Federal, ele deveria ser o ministro da Justiça", ironizou. "Quem deve escolher o diretor da Fundação Nacional de Saúde (FNS) é o ministro da Saúde, e não o ministro da Aeronáutica", comparou Barbalho.
O chefe da Casa Militar vem sendo apontado por policiais federais como um dos principais opositores à nomeação do delegado Wantuir Jacine para o cargo de diretor da PF. Jacine ocupa interinamente a chefia da PF, desde a queda do delegado Vicente Chelotti, e foi indicado por Calheiros para ser efetivado no cargo, mas, até hoje, Fernando Henrique não tomou uma decisão sobre o assunto.
O presidente do PMDB disse não saber qual a razão que tem levado Fernando Henrique a retardar a escolha do diretor da PF. "Não sei qual a razão de o presidente da República de não ter nomeado até hoje, mas que não seja este o motivo da demora"
cobrou Barbalho. Repetindo os ataques ao general, o peemedebista disse que o presidente da República vai cobrar do ministro da Justiça o desempenho da PF. Portanto, continuou ele, "só o direito de querer interferir numa escolha que não lhe diz respeito já é uma coisa inconcebível".
Barbalho afirmou que o PMDB não tem responsabilidade com a escolha de Jacine pelo ministro da Justiça para o comando da PF. O partido, segundo ele, apenas "opinou" no critério de escolha. "A escolha do diretor da Polícia Federal é técnica, não é partidária, e o partido apenas opinou que o melhor caminho seria o profissional para se fazer essa escolha", disse o presidente do PMDB.
Antes de assumir interinamente o cargo de diretor, Jacine era o segundo homem na hierarquia da PF e de confiança de Chelotti. O motivo da oposição do general ao nome de Jacine seria o fato de o delegado ter sido alvo de uma sindicância interna da PF, realizada para apurar uma suposta omissão em investigação de contrabando. Lideranças do PSDB e PFL reforçaram a oposição ao escolhido de Calheiros, depois que apoiaram a indicação do delegado Marcelo Itagiba, que também era ligado a Chelotti.

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