Barbalho causa polêmica ao indicar Estevão relator do PPA
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por César Felício 
Brasília, 27 (AE) - O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), voltou a provocar polêmica hoje sobre o Plano Plurianual de Investimentos (PPA), ao indicar o senador Luís Estevão (PMDB-DF), objeto de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Poder Judiciário, para ser um dos dez sub-relatores do programa.
"Estão transformando o Congresso num mangue", comentou o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), um dos membros da comissão.
"A indicação é uma violência ao parlamento brasileiro porque o senador está sob suspeição", disse o deputado Agnelo Queiroz (PC do B- DF). O PPA ordena investimentos de R$ 1,1 trilhão em mais de 300 projetos nos próximos quatro anos.
Logo que o PPA foi encaminhado ao Congresso, Barbalho auto-nomeou-se relator do programa, contra a vontade do PFL e do PSDB e irritando o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que ameaçou o destituir. Na ocasião, Barbalho teve o apoio da oposição e contou com a neutralidade do governo federal com o objetivo de forçar pefelistas e tucanos a aceitar uma solução negociada, em que ele abriu mão da vaga para o deputado Renato Vianna (PMDB-SC). Agora, a indicação de Estevão indignou os oposicionistas.
"Luís Estevão recebeu R$ 40 milhões do empresário Fábio Monteiro de Barros, responsável pelo desvio de R$ 169 milhões das obras da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, sem apresentar nenhuma justificativa convincente e a sua indicação compromete a lisura da tramitação do PPA", afirmou Queiroz. Apesar dos ataques, os deputados oposicionistas pouco podem fazer para barrar a indicação.
Regimentalmente, não há nada que impeça um senador sob investigação exercer qualquer tipo de relatoria. "Ser objeto de investigação não é estar condenado, e eu estaria fazendo um julgamento caso não o indicasse", disse hoje Barbalho. "O que esperamos é que o constrangimento político que será causado quando a CPI encerrar os trabalhos e apresentar um relatório incriminando o senador tolha seus movimentos", disse Dutra.
Para Estevão, a decisão de Barbalho de atender ao pedido para ser sub-relator do PPA mostra que as investigações da CPI não o enfraqueceram politicamente. "Só não sou nomeado para mais funções porque não posso, e não faço mais coisas no Senado por absoluta falta de tempo", disse o senador, lembrando que foi relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). "Na ocasião, ninguém da oposição me criticou", disse, definindo os ataques de hoje como "uma demonstração de autoritarismo, mediocridade, besteirol e cretinice da oposição".
De acordo com o senador, que é dono de uma holding com forte atuação na construção civil, a vida empresarial dele encerrou-se. "Ganhei muito dinheiro em 28 anos como empresário
mas esta fase na minha vida passou", disse, acrescentando: "Vim para o Senado para fazer exclusivamente política."
Estevão afirmou que as empresas estão participando atualmente de obras públicas de governos estaduais no Ceará, Rio, Goiás e São Paulo. "Não tenho nenhum contrato no Distrito Federal, meu território político, exatamente por ser correligionário do governador Joaquim Roriz (PMDB) e não querer me expor a insinuações desagradáveis", disse.


