Barbalho anuncia em tom irônico apoio a bandeiras do PFL
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Rosa Costa 
Brasília, 11 (AE) - O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), anunciou hoje, num discurso irônico, da tribuna da Casa, que encampará duas bandeiras do PFL: o aumento do salário mínimo para US$ 100 e o combate à pobreza, defendido, sobretudo, pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O líder elogiou a participação do deputado Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP) no movimento pró-US$ 100, a quem chamou de "um líder sindical autêntico", e explicou que não conseguiu resistir "a esse clima de entusiasmo pelo combate à pobreza, que toma conta de tantos segmentos da vida pública brasileira".
"O governo está frito", anunciou o líder, depois do pronunciamento. "Daqui prá frente, tudo o que for contra a pobreza, eu estarei ao lado." Barbalho afirmou que, ao contrário do PFL que, em 24 horas, recuou na campanha de elevar o mínimo a US$ 100, vai defender a proposta até a concretização.
"Pensei, agora é prá valer", afirmou. "Antonio Carlos combatendo a pobreza, o PFL querendo US$ 100, no mínimo, eu entusiasmei-me." Barbalho disse que a proposta de ACM de criar um fundo de combate à pobreza "é um episódio divisor na história deste País". "Precisou que o senador Antonio Carlos Magalhães tratasse da pobreza para que a sociedade brasileira se sensibilizasse", ironizou. Segundo ele, nem o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, conhecido pelo trabalho de combate à miséria, conseguiu tanto.
ACM devolveu a ironia, ao dizer que se sentiu comovido com as palavras do líder. "Eu quase saí da mesa, tal a comoção com que ouvi as suas palavras", rebateu, falando no mesmo usado pelo líder do PMDB. "Aliás, o Jáder tem essa coisa; ele não diz nada o que não pensa, ele é muito correto e sincero." Barbalho explicou que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, também contribuiu para o entusiasmo dele pela "santa indignação" que o levou a rebater as críticas do representante do Fundo Monetário Nacional (FMI) no Brasil, Lorenzo Perez, ao fundo da pobreza.
"Pensei cá comigo que, na área econômica do governo, o assunto está resolvido", afirmou. "A única pessoa que se podia imaginar com falta de sensibilidade por nunca haver recebido um pobre no seu gabinete, segundo Antonio Carlos Magalhães, evoluiu e rejeita a interferência indevida."
O líder leu em plenário a carta que enviou ao presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), na qual fala da "frustração" que sentiu com a desistência do partido em encampar um salário mínimo de US$ 100. Para ele, o PFL, "sempre preocupado com os mais pobres, não pode sofrer pressões, recuos e, por consequência, impedir considerável avanço na distribuição de renda e no combate à pobreza". Barbalho anunciou que enviará uma cópia da carta ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele pediu a ACM que convença o ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas, a rever a posição contrária ao aumento do salário mínimo. Ornélas teme a elevação do déficit da Previdência.


