Barbalho acusa ACM de usar máquina para o agredir
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Rosa Costa 
Brasília, 11 (AE) - O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), acusou hoje o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de usar a máquina administrativa da instituição para o atacar, até mesmo empregando servidores na coleta de denúncias.
Um desses casos, segundo informou, teria a participação do diretor de Modernização, Fernando Leite, lotado no gabinete de ACM. O líder disse que o servidor foi visto nos últimos dias em Belém conversando com os adversários dele e visitando "empresas privadas". A cada um dos interlocutores, ele teria entregue um cartão que os identificava como funcionários do Senado.
Barbalho espera receber amanhã (12) do diretor-geral do Senado, Agaciel Macia, resposta ao ofício que lhe encaminhou, questionando quem pagou pela viagem do servidor, o motivo e outros pontos que esclareçam a causa da ida de Leite a Belém.
Para o senador, o fato reforça os argumentos de que ACM deve se licenciar da presidência do Senado, enquanto estiverem brigando.
"Acho que o caminho mais razoável seria ele se afastar da presidência", defendeu. Barbalho alegou que não precisa fazer o mesmo porque ocupa cargos do partido e não uma função pública.
ACM ignorou a idéia do colega. "Não levo em conta pilhérias", desconversou. Ele não foi consultado sobre a viagem do servidor a Belém porque, presidindo a sessão, não pode ser chamado.
Leite mostrou-se surpreso pela repercussão da vigem. "Quem disse isso foi o Jáder?", perguntou. Faz hoje uma semana que ACM e Barbalho se insultaram mutuamente em plenário, chamando um ao outro de "corrupto, ladrão, desonesto, truculento" e de outros adjetivos.
A denúncia trocada entre eles deve chegar amanhã ao Ministério Público (MP) e ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado, por decisão da Mesa Diretora da Casa. A idéia de submeter ao plenário o requerimento propondo esse encaminhamento foi abandonada para evitar que os discursos dos parlamentares estimulassem os dois desafetos a novos bates-bocas - "para não criar um ambiente constrangedor", argumentou o vice-presidente Geraldo Melo (PSDB-RN).
Ele informou que se limitará a formalizar o encaminhamento das denúncias e da íntegra dos discursos de ACM e Barbalho ao MP, cabendo aos procuradores decidir se eles cometeram ou não crimes ação pública.
Nos dois casos, a resposta deve demorar. No Conselho de Ética, porque não dispõe de estrutura nem de mecanismo funcionais para investigar se os senadores infringiram o decoro parlamentar. Já a demora no MP se deverá ao tempo em que os fatos denunciados teriam ocorrido - alguns, há mais de 20 anos - e à necessidade de consultar o Supremo Tribunal Federal (STF) para levar as investigações adiante.
Barbalho ficou de formalizar, no início da noite de hoje
as denúncias que fez contra ACM. Segundo ele, são cerca de 15 acusações.
ACM apontou irregularidades, principalmente superfaturamente no preço de obras públicas, que teriam sido cometidas por Barbalho no período em que ele ocupou os Ministérios da Reforma Agrária e da Previdência Social e o governo do Pará. Contra ACM, Barbalho juntou denúncias de doação ilegal de dinheiro para campanha, favorecimento a grupos privados e superfaturamento de obras quando governou a Bahia.


