Brasília, 23 (AE) - Depois de 15 dias de confronto pela relatoria do Plano Plurianual de Investimentos (PPA), os líderes partidários no Congresso conseguiram encontrar hoje uma solução para o que prometia ser o maior e mais grave embate político entre dois dos principais caciques governistas: os presidentes nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Depois de uma difícil negociação que durou mais de duas horas, Barbalho abriu mão da relatoria do PPA, na condição de que o cargo permanecesse nas mãos de um deputado do PMDB. Segundo o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), o nome do relator só será divulgado na segunda-feira (27). A saída encontrada para o impasse foi comemorada pelos peemedebistas como uma vitória do partido, que continuou com a relatoria.
A decisão só saiu depois de uma longa reunião do Colégio de Líderes no gabinete da Comissão Mista de Orçamento. "Foi uma vitória, claro!", avaliou Barbalho. "Afinal, a relatoria ficou com o PMDB", completou ele, lembrando que não estava travando nenhuma luta pessoal.
"Minha ação foi partidária e, agora, me dou por satisfeito." Alguns parlamentares avaliaram o episódio como uma derrota pessoal de ACM. "O Jader deixou claro que o senador Antonio Carlos é presidente e não dono do Congresso", comentou o deputado Marcelo Déda (PT-SE).
No início da tarde, na sessão do Congresso, ACM resolveu considerar prejudicada a questão de ordem levantada no dia anterior (22) pelo líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PI), que pedia destituição de Barbalho do cargo de relator. O clima tenso dos últimos dias só foi quebrado depois da reunião da Comissão de Orçamento, quando Barbalho foi ao plenário do Senado abraçar ACM e comunicar a decisão do Colégio de Líderes.
Pouco depois, na sessão do Congresso, os dois políticos fizeram discursos conciliadores. "Erros foram cometidos pelo presidente do PMDB, como foram cometidos pelo presidente do Senado", disse ACM, fazendo uma avaliação da disputa travada entre os dois. "Mas, agora, fica selada a união."
ACM também ressaltou o gesto do presidente do PMDB. "Só foi possível a solução graças ao desprendimento do senador Jáder Barbalho", elogiou ACM, que também lembrou a participação decisiva do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), na mediação do confronto.
Barbalho também foi conciliador no discurso. "Quero festejar a nossa divergência e a nossa convergência e lembrar que o calor das nossas manifestações não se confunde com questão pessoal", ressaltou o senador paraense.
Ele disse ainda que, nesse episódio, não deveria ter faltado o diálogo pessoal entre os dois. No fim, o senador fez uma celebração de paz com ACM. "Dizem que nós somos parecidos"
comentou. "Mas, se sou parecido com Vossa Excelência, só sou nos defeitos", concluiu Barbalho.
A avaliação dos parlamentares é que o embate político resultou numa nova correlação de forças no Congresso, ampliando as condições de entendimentos políticos no parlamento. A manhã de hoje começou tensa na Comissão Mista do Orçamento. O confronto preocupava tanto os líderes políticos que, na noite anterior, ACM e o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), encontraram-se com o presidente Fernando Henrique Cardoso, quando trataram do assunto.
Para tentar uma solução, o senador Siqueira Campos (PFL-TO) entrou com um requerimento pedindo ao presidente da Comissão de Orçamento, senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), a interrupção da sessão para uma reunião de 30 minutos do Colégio de Líderes. A negociação durou duas horas.
No início, o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), defendeu o nome do senador Arthur da Távola (sem partido-RJ) para ocupar a relatoria, por ser neutro. Mas ninguém concordou com a sugestão, que foi logo descartada. O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) alegou que, como Távola não tinha partido, desprestigiaria todos as legendas.
Em seguida, Barbalho ressaltou a importância da reunião do Colégio de Líderes como o fórum adequado para tomar a decisão e abriu mão do cargo, desde que o PMDB não ficasse prejudicado. Geddel pôs como proposta de consenso um deputado do PMDB para ser o relator do PPA. Mas, quando tudo parecia resolvido, o líder tucano na Câmara, Aécio Neves (MG), fez uma reivindicação para que o cargo fosse do PSDB.
Foi feita uma pequena reunião paralela entre Neves e Barbalho, quando o líder tucano resolveu abrir mão da vaga. Com isso, o PSDB passou a ser credor da próxima relatoria da Comissão de Orçamento. "Não discutimos questões regimentais, mas o interesse nacional e o reconhecimento que o fórum adequado para discutir o assunto é a comissão", disse Mestrinho.
Para o líder petista, deputado José Genoíno (SP), o embate foi válido por preservar a instituição. "A importância da decisão é por ter sido o resultado de um consenso no Colégio de Líderes, onde todos os partidos são ouvidos para resolver pendências." Já Arrudaressaltou que, finalmente, depois de um longo período, os trabalhos da Comissão de Orçanmento foram retomados. "Hoje, não foi dia de vencidos; começa, agora, a decidir o mérito do PPA", lembrou.

mockup