Baraq e al-Shara começam a buscar a paz Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 03 (AE) - Num clima supreendentemente ameno para o mês de janeiro, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, e o ministro das Relações Exteriores da Síria, Farouq al-Shara, iniciaram hoje (03), em Sheperdstown, uma pacata cidadezinha situada a 100 quilômetros de Washington, na Virginia Ocidental, as mais promissoras negociações de paz já realizadas entre os dois países, que travaram três guerras desde a fundação de Israel, em 1948. O evento, potencialmente histórico, começou com uma caminhada simbólica que Barak e al-Shara fizeram, na companhia do presidente Bill Clinton, pelos jardins do Hotel Clarion até o centro de conferências onde eles tentarão, nos próximos sete a dez dias, encontrar soluções para suas diferenças. Para a Síria, o objetivo é obter a devolução das Colinas do Golan, que Israel ocupou na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e onde vivem hoje 17 mil colonos israelenses ao lado de 19 mil árabes drusos leais Damasco. Para Israel, trata-se de conseguir garantias de segurança dos sírios, no quadro de relações diplomáticas normais, e de manter acesso às águas do mar da Galiléia, crucial para o abastecimento e a agricultura do norte do país. A pacificação entre Israel e seus vizinhos imediatos, que ficaria completa com um acordo com a Síria, é a prioridade absoluta da política externa de Clinton, que inicia em menos de três semanas seu último ano de governo.
Cientes das enormes dificuldades que precisam ser superadas para que se chegue a um entendimeto, os anfitriões americanos empenharam-se hoje em reduzir as expectativas. Não se deve esperar um acordo, ou mesmo um esboço de acordo, para esta ou a próxima semana, avisaram funcionários da administração. Embora os dois lados tenham emitido sinais positivos sobre sua disposição de considerar as reivindicações do outro, as conversações poderão estender-se por vários meses. "As diferenças são significativas e complexas e envolverão muito trabalho duro e muitas decisões difíceis", disse Joe Lockhart, o porta-voz da Casa Branca.
Barak e Al-Shara, que tiveram reuniÓes preparatórias em Washington, no mês passado, sentaram-se para sua primeira reunião hoje, sem a presença dos americanos, antes de jantar com Clinton e com a secretaria de Estado, Madeleine Albright. A secretária de Estado permanecerá no Hotel Clarion, acompanhada pelo embaixador especial americano para o Oriente Médio, Dennis Ross, pronta para agir como mediadora, se for solicitada a fazê-lo pelos negociadores. Clinton liberou sua agenda nas próximas duas semanas e irá a Sheperdstown de helicóptero sempre que sua presença for julgada necessária por israelenses e sírios. Para reduzir as chances de as conversações serem prejudicadas por vazamentos de informação, as duas delegações concordaram que seus negociadores - cerca de 25 de cada lado - não usarão telefones celulares, não deixarão o Hotel Clarion e não terão contato com as dezenas de repórteres que acompanham as conversações em Sheperdstown.
As informações aos jornalistas serão prestadas apenas por porta-vozes americanos, se e quando houver algo a reportar. Fontes sírias disseram no domingo, em Damasco, que al-Shara pediria a Barak a libertação de prisioneiros sírios em Israel como um gesto inicial de boa vontade, no primeiro dia das conversas. A caminho dos EUA, o chanceler israelense, David Levy
afirmou que, em algum momento, seu governo insistirá na participação pessoal nas negociações do presidente da Síria, Hafez al-Assad, como prova de seu compromisso com a busca da paz.





