Jerusalém, 18 (AE-AP) - Enquanto aliados e rivais começavam a redesenhar hoje (18) o mapa político de Israel, Ehud Barak aproveitou seu primeiro dia como premier eleito para fazer peregrinações a dois poderosos e simbólicos locais: o túmulo do assassinato primeiro-ministro Yitzhak Rabin e o Muro das Lamentações de Jerusalém.
Nas duas paradas, Barak - o decidido militar de carreira que impôs uma grande derrota ao primeiro-ministro linha dura Benjamin Netanyahu na eleição de segunda-feira - bateu nos mesmos temas de paz e reconciliação que o ajudaram a conquistar sua notável vitória.
"Deste local, judeus têm rezado por gerações, e é justo que daqui a mensagem de fraternidade seja enviada", disse Barak no Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo.
No túmulo de Rabin, a quem Barak chama de seu comandante e mentor, ele colocou uma pequena pedra na lápide de granito preto num gesto tradicional de luto e lembrança. Rabin foi assassinado a tiros em 1995 por um ultranacionalista judeu oposto à entrega de terras aos palestinos.
Durante os anos de Netanyahu, enquanto o processo de paz afundava, Rabin mal foi mencionado pelo primeiro-ministro.
"Um ciclo foi fechado aqui no túmulo de Yitzhak Rabin", afirmou Barak. "Uma possibilidade foi aberta para preencher o legado de Yitzhak Rabin, e eu estou comprometido com este caminho."
O tom baixo, melancólico, foi um forte contraste com os tumultos empolgantes das 24 horas anteriores. Netanyahu, esmagado na votação de segunda-feira, reconheceu a derrota mesmo antes da contagem dos votos e anunciou que estava renunciando à liderança de seu Partido Likud.
Hoje, israelenses ainda estavam esfregando os olhos num assombro coletivo. Uma manchete do jornal Maariv brincava com a palavra "relâmpago" - o nome de Barak em hebreu.
No áspero e tumultuado mundo da coalizão política israelense, duras negociações começaram como um prelúdio da formação de um novo governo. Barak tem 45 dias para isto; Netanyahu permanecerá como primeiro-ministro em exercício até lá.
Nas eleições para as 120 cadeiras do Knesset, ou parlamento, o grande vencedor foi o ultra-ortodoxo Shas, que conquistou 17 assentos e tornou-se o terceiro maior partido. Ainda é uma questão em aberto se ele vai participar do novo governo.
O campo de Barak não descartou uma aliança com o Partido Likud
agora que Netanyahu renunciou como seu líder. O Likud deve cair de 32 cadeiras para 19, enfraquecendo-o significativamente.
Por causa do antiquado sistema de cédulas de papel de Israel, os resultados oficiais finais só devem estar disponíveis na próxima terça-feira. Mas na contagem extra-oficial de 99.9% dos mais de 7.000 postos eleitorais, Barak tinha 56% dos votos e Netanyahu, 43.9% - uma vitória esmagadora para os padrões israelenses.
Em meio às negociaçõs políticas, o dia pós-eleitoral trouxe claras lembranças dos distúrbios e divisões que Barak, um ex-comandante do exército, tem prometido tentar curar.
Escavadeiras começaram a trabalhar em dois contestados locais em áreas tradicionalmente árabes de Jerusalém onde colonos judeus estão construindo. Os palestinos, que querem que Jerusalém Oriental seja a capital de seu futuro Estado, pediram a Barak para suspender a construção, mesmo apesar de ele só assumir como primeiro-ministro em algumas semanas.
Na região nortista da Galiléia, israelenses passaram a noite em abrigos depois de uma rodada de ataques com foguetes disparados pela guerrilha do Hizbollah no sul do Líbano. Barak tem prometido retirar as tropas israelenses do Líbano dentro de um ano, mas não tem dito como fará isto.
Alguns líderes de colonos judeus estão preocupados que a eleição de Barak signifique a entrega de mais territórios da Cisjordânia para os palestinos, contra o que, eles dizem, irão lutar. Uri Ariel, prefeito do assentamento de Bet El, disse que retiradas de tropas serão "um grave erro, por razões de segurança e nacional".
Palestinos congratularam calorosamente Barak na noite de segunda-feira depois de sua vitória, mas voltaram rapidamente hoje ao trabalho, dizendo que esperam alguns gestos de boa vontade por parte dele.
Um alto oficial palestino, que pediu para não ser identificado
disse que os palestinos querem ver a implementação do acordo de Wye River, mediado pelos EUA e congelado meses atrás por Netanyahu, dentro de duas semanas depois que Barak assumir o cargo.
O líder palestino Yasser Arafat falou por telefone hoje com o primeiro-ministro eleito, congratulando-o, e ambos reafirmaram o compromisso com o processo de paz, afirmou um assessor de Arafat
Nabil Abourdeneh.
Enquanto assumindo uma posição de esperar para ver em relação a Barak, palestinos comuns estavam claramente deliciados com derrota de Netanyahu.
"Pela primeira vez em três anos podemos respirar", disse Kamel Bahour, de 67 anos, um palestino da cidade de Ramallah, na Cisjordânia.
A eleição de Barak deve melhorar as relações de Israel com os Estados Unidos, que estiveram tensas na maior parte do mandato de Netanyahu.
O presidente Bill Clinton afirmou que sua administração irá continuar a buscar "uma paz justa, duradoura e ampla que fortaleça a segurança de Israel" e estava ansioso por trabalhar com Barak na questão.
Outros líderes mundiais também saudaram a vitória de Barak.

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