Jerusalém, 06 (AE-AP) - O líder trabalhista Ehud Barak tomou posse hoje (06) como chefe de governo de Israel estendendo as mãos para a paz com os vizinhos árabes. Num apaixonado discurso para um cativado Parlamento, o ex-chefe do Estado-Maior pediu que os palestinos olhem para o futuro, prometeu retomar as negociações com a Síria sob o princípio da troca de terras por paz e garantiu que retirará as tropas israelenses do Líbano em um ano.
"Conclamo todos os líderes da região a estender suas mãos ao encontro das nossas mãos estendidas e forjar a paz dos bravos", afirmou o militar mais condecorado de Israel, que bateu por ampla margem o direitista Benjamin Netanyahu na eleição de 17 de maio para primeiro-ministro e construiu uma ampla coalizão que lhe garante 75 das 120 cadeiras do Parlamento.
Barak ressaltou que essa coalizão está determinada a fazer as conversações com a Síria (suspensas há três anos) avançarem "o mais rápido possível", com base nas Resoluções 242 e 336 da ONU - o sinal mais claro de que ele pretende oferecer de volta grande parte das colinas sírias do Golã (ocupadas por Israel em 1967) em troca da paz total. "Éramos inimigos duros e implacáveis no campo de batalha", assinalou o novo primeiro-ministro, dirigindo-se ao presidente sírio, Hafez Assad. "Chegou a hora de construir uma paz aberta e brava que garanta o futuro e a segurança de nossos povos nossos filhos e nossos netos."
Procurando afastar os temores palestinos de que esteja priorizando a paz com os sírios, Barak afirmou que pretende negociar simultaneamente com todos os vizinhos árabes. "Estas duas tarefas juntas - alcançar um acordo permanente com os palestinos e a paz com a Síria e o Líbano - são igualmente vitais e urgentes", disse o novo primeiro-ministro. "Conheço não só a dor do meu povo, como também a do povo palestino", afirmou. "Não podemos insistir nos erros históricos, mas olhar para o futuro", acrescentou, prometendo trabalhar com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, para alcançar um arranjo de "coexistência, liberdade, prosperidade e boa vizinhança".
Em Gaza, Arafat mostrou-se satisfeito com a posição do novo líder israelense. "Estamos prontos para trabalhar juntos para alcançar a paz dos bravos", disse Arafat. Mas fez questão de acrescentar: "A questão palestina é a questão central do mundo árabe."
Netanyahu, que paralisou as negociações com a Síria e os palestinos e ampliou as colônias judaicas em terras árabes, ouviu todo o discurso de Barak impassível, mas concordou com a cabeça quando seu sucessor disse esperar que a "amizade pessoal" de ambos continue. Depois do discurso, Netanyahu anunciou que estava abandonando sua cadeira no Parlamento e a vida política e saiu do edifício cumprimentando alguns deputados.

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