Tel Aviv, 17 (AE-AP) - Ehud Barak, o militar mais condecorado de Israel e novo primeiro-ministro do país, tem sido um símbolo de valentia no campo de batalha e de cautela na luta política.
Centrista de coração, o dirigente do Partido Trabalhista de 57 anos se absteve quando o gabinete votou o primeiro acordo de paz com os palestinos, negociado por seu mentor Yitzhak Rabin.
Durante sua campanha para o cargo de primeiro-ministro, Barak disse que se mobilizaria para alcançar um plano de paz definitivo com o líder palestino Yasser Arafat. Mas também prometeu aos eleitores que lhes daria uma oportunidade de aceitá-lo ou rechaçá-lo em um plebiscito.
Essas mostras de cautela foram retribuídas com votos de centristas que haviam apoiado, em 1996, o candidato de linha dura Benjamin Netanyahu, mas que se decepcionaram com uma economia fraca e uma paralisação do processo de paz sob o governo do Likud.
Barak, um homem baixo e robusto, nasceu em 1942 no kibutz Mishmar Hasharon, próximo ao balneário de Netanya.
O mais velho de quatro irmãos homens, foi uma criança tranquila e sonhadora, segundo recorda sua mãe Esther Brog, de 85 anos, que chegou da Polônia na década de 30 e ajudou a fundar o kibutz.
Depois de ter sido recrutado pelo exército aos 18 anos, ascendeu rapidamente na hierarquia militar e chegou a ser chefe do Estado-maior de 1991 a 1995.
Participou de ousadas operações de reféns e supervisionou ataques contra chefes guerrilheiros da OLP, inclusive a um posto em Beirute no qual participou disfarçado de mulher, em 1973.
Barak é um ótimo pianista e fala fluentemente o inglês e o árabe. Obeteve títulos universitários em Física e Matemática na Universidade Hebraica de Jerusalém, além de ter licenciatura em Engenharia Econômica por Standford, na Califórnia.
Em 1995, Rabin o introduziu na política e o designou ministro do Interior. Depois do assassinato de Rabin, em novembro de 1995
Barak foi nomeado chanceler.
Depois de ser eleito líder do Partido Trabalhista em 1997, Barak trabalhou metodicamente para dissipar a imagem de uma agremiação que era vista como um bastião elitista dos ashkenazi, os judeus de ascendência européia, a fim de transformá-la em um movimento que acolhe todas as variações étnicas.
Barak se desculpou aos judeus sefarditas - os de origem norte-africanas e do Oriente Médio - pelos maltratos que sofreram nas mãos dos dirigentes trabalhistas ao imigrarem ao país nos anos 50.

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