Jerusalém, 28 (AE-AP) - Negociando sob a ameaça de perder sua maioria no parlamento, o primeiro-ministro israelense Ehud Barak concordou nesta terça-feira (28) em canalizar milhões de dólares para o Shas, partido judeu ortodoxo, com o intuito de mantê-lo em sua coalizão.
A crise política veio à tona dias após Barak iniciar cruciais conversações de paz com a Síria e levantou questões sobre se Barak deverá enfrentar crises de coalizão similares sempre que houver uma votação importante.
Barak deve viajar a Washington na próxima semana para uma segunda rodada de reuniões com o ministro de Relações Exteriores da Síria, Farouk al-Sharaa. As negociações foram retomadas no mês passado depois de um estancamento de quase quatro anos.
Na noite desta terça-feira, os ministros filiados ao Shas disseram que uma solução estaria próxima. "A princípio, estamos no caminho certo", disse Eli Yishai, líder do Shas, após o encerramento de uma reunião com o ministro das Finanças Avraham Shochat. A prova estava na camaradagem: Yishai levou sua delegação ao parlamento, onde delegados do Shas votaram ao lado do governo em uma série de projetos de dotação orçamentária. O Orçamento não deverá ser votado até a noite de quinta-feira, mas a maioria das dotações orçamentárias vencia - por cerca de 65% a 35% -, em um sinal de que a crise estaria encerrada.
A primeira crise de coalizão de Barak desde sua posse em julho envolveu dinheiro e dignidade. O Shas, segundo maior partido da coalizão governista de seis agremiações, anunciou ontem que abandonaria o governo com base em seus pedidos de mais dinheiro para seus gastos, para o escandaloso sistema educacional e para os ministérios sob seu controle.
O momento foi o mais importante - logo após o Knesset, parlamento israelense, iniciar a votação para o Orçamento de 2000. Sem os votos do Shas, o Orçamento não seria aprovado.
Veteranos do Knesset minimizaram a crise, calssificando-a como um drama previsível que ocorre todos os anos quando o Orçamento é votado. E normalmente envolve o Shas.
Isto provocou as comuns negociações maratônicas, inclusive uma sessão noturna realizada no Ministério da Educação, onde foi fechado um acordo de 12 páginas para cobrir a dívida do Shas relativa ao sistema educacional, enquanto este é supervisionado pelo ministério, após acusações sobre a má conduta financeira dos funcionários do Shas.
Autoridades ministeriais disseram que o governo pagará US$ 12 2 milhões da dívida do Shas, enquanto o partido será responsável pelo pagamento de US$ 4,8 milhões.

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