Barak quer diminuir expectativas dos palestinos
Tel Aviv, 20 (AE-AP) - Ehud Barak deu hoje (20) os primeiros passos no sentido de formar uma coalizão de amplas bases que ele acredita irá diminuir as expectativas criadas entre os palestinos por sua vitória sobre o primeiro-ministro linha dura Benjamin Netanyahu.
Palestinos, que dizem que a decisão deles sobre a declaração de um Estado independente levará em conta se Barak formará um governo falcão ou pacifista, pediram a ele que acelere o processo de paz.
Em entrevistas publicadas hoje - no primeiro dia em que ele discutiu nomeações para o gabinete com colegas partidários - Barak afirmou que as perspectivas de entrega de territórios para os palestinos são para ele "extremamente dolorosas".
"Existem áreas... sobre as quais teremos de tomar difíceis decisões", disse Barak ao jornal Yediot Ahronot. "Esta é uma das razões pelas quais precisamos de um governo de amplas bases. Ele nos fortalece interna e externamente".
Barak afirmou que irá incluir partidos falcões em sua coalizão a fim de evitar os erros de seu mentor, o assassinado primeiro- ministro Yitzhak Rabin, cuja coalizão esquerdista foi acusada de não representar a nação.
"Quando existe um governo amplo, o povo aceita decisões mais facilmente, e o outro lado espera receber menos", disse ele ao diário Maariv.
Palestinos, que postergaram para até depois das eleições uma decisão sobre a declaração de um Estado independente marcada inicialmente para 4 de maio a fim de evitar dar a Netanyahu um instrumento de campanha, afirmaram esperar que Barak atue rapidamente para reviver o processo de paz.
"Esperamos que sua prioridade na formação de um governo seja a paz", disse o negociador Saeb Erekat à Associated Press. "Acho que nada deveria ser feito às custas da paz".
Netanyahu enfureceu os palestinos ao ameaçar anexar território se eles levassem à frente a questão do Estado e ao tentar fechar a Casa do Oriente, a sede palestina em Jerusalém, dias antes da votação de segunda-feira.
Eles saudaram a vitória de Barak como um sinal de que as conversações de paz voltariam aos trilhos - mas expressaram desapontamento com alguns pontos que ele sublinhou em seu discurso da vitória, como a promessa de manter a questão de Jerusalém fora das negociações.
Os palestinos esperam estabelecer uma capital de seu Estado na metade oriental, tradicionalmente árabe, da cidade.
Salim Zanoun, presidente do Conselho Central da OLP, disse que o "não" de Barak sobre Jerusalém era indesejável.
Zanoun, cujo conselho irá considerar uma possível declaração unilateral do Estado no mês que vem, afirmou que a decisão dependerá parcialmente da composição do governo de Barak.
"Se o governo acreditar na paz, isto poderia nos encorajar a dar uma chance à negociação com os israelenses por um período razoável, próximo ao que os americanos e europeus aconselharam", disse Zanoun, referindo-se à data-alvo de um ano.
Barak tem dito que não irá conduzir negociações com os vizinhos de Israel até que ele forme um governo.
Ele não tem descartado trazer para a coalizão o Partido Likud pós- Netanyahu a fim de ampliar o apoio às suas políticas.
Um parceiro natural do processo de paz seria o Shas, um partido ultraortodoxo que aumentou sua representação no Knesset dos atuais 10 assentos para 17.
Barak já adiantou que não negociará com o Shas enquanto o partido for liderado por Arieh Deri, um ex-ministro do Interior condenado no mês passado por corrupção.
Alguns de seus assessores não querem conversas com o Shas, argumentando que a vitória de Barak foi conquistada em parte com o voto dos seculares que estavam insatisfeitos com a proximidade de Netanyahu com o Shas e irritados com os ministros do Shas que desviaram verbas para suas instituições religiosas.
Outros afirmam que o Shas é um natural parceiro de paz - uma posição que o líder espiritual do movimento, Ovadia Yosef, reforçou numa entrevista ao diário Haaretz, na qual disse que esperava trabalhar com Barak pela paz.
Barak tem desde terça-feira 45 dias para formar uma coalizão. Ele provavelmente manterá para ele o Ministério da Defesa, pelo menos pelos próximos dois anos, a fim de ter controle único sobre as conversações de paz.
Rabin, que como ele era um militar de carreira, também acumulou a pasta da Defesa enquanto servindo como premier.





