Jerusalém, 29 (AE-AP) - Pouco mais de uma semana antes do prazo final, no dia 8, o primeiro-ministro eleito de Israel, Ehud Barak, praticamente garantiu hoje (29) a formação de uma folgada coalizão para retomar e fazer avançar o processo de paz com os árabes.
Um dia depois de romper as negociações com o partido direitista Likud, o líder trabalhista fechou um acordo com o partido Judaísmo Unido da Torá (JUT), que tem 5 das 120 cadeiras do Parlamento eleito, o que abre o caminho para a adesão da poderosa agremiação ultra-ortodoxa Shas (17 deputados).
Ao todo, o governo de Barak caminha para ter a confortável maioria de 77 cadeiras. O dirigente trabalhista Yossi Beilin, um arquiteto dos acordos com os palestinos, qualificou hoje o governo emergente de "coalizão da paz".
Em troca do apoio do JUT, Barak comprometeu-se a não impor o recrutamento de estudantes ultra-ortodoxos para o Exército. O dirigente também já garantiu o apoio da agremiação de imigrantes russos Israel ba-Aliya (6 deputados) e do ultraconservador e pró- colonos Partido Nacional Religioso (5 deputados) e está prestes a fechar acordos com o pacifista Meretz (10), com o Partido de Centro (6) e com o Partido do Povo Unido (2). A frente Um Israel, liderada pelos trabalhistas, tem 26 cadeiras.
O líder do JUT, Meir Porush, previu que o Shas também aderirá à coalizão: "Creio que eles vão concordar com o que acertamos." O secularista Meretz, antes totalmente oposto a participar de um governo ao lado do Shas, indicou que também não ficará de fora.
Indagado sobre quando vai aderir à coalizão, o líder do Meretz, Yossi Sarid, disse à TV israelense: "Quando as conversações forem concluídas e tivermos acertado todos os detalhes - creio que é questão de dois ou três dias, no máximo."

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