Barak pode retirar tropas do Líbano em dois meses
Jerusalém, 13 (AE-AP) - Sob pressão da opinião pública, em especial de parentes de militares, para desocupar imediatamente o sul do Líbano, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, frisou neste domingo (13), na reunião semanal de seu gabinete, que uma retirada unilateral das tropas israelenses não poderá ocorrer em menos de dois meses - período no qual pretende explorar todas as possibilidades de um acordo com a Síria.
Na campanha eleitoral, Barak garantiu que o Exército deixaria a região até julho, de preferência como resultado de um acerto com os sírios, que controlam o Líbano. Hoje ele disse entender os temores dos militares e seus parentes e anunciou que nas próximas semanas haverá um debate sobre a questão no gabinete.
Segundo o diário Maariv, ao menos metade dos ministros apóia a retirada até maio, com ou sem acordo com a Síria. O arquiteto da invasão israelense do Líbano em 1982, o ex-ministro da Defesa Ariel Sharon, defendeu hoje a saída "imediata" das tropas.
Como as negociações com os sírios estão congeladas e o grupo guerrilheiro Hezbollah intensificou os ataques às forças de ocupação israelenses - matando sete soldados em menos de três semanas -, Barak passou a falar abertamente numa retirada unilateral.
A declaração de hoje foi uma resposta ao apelo feito pela mãe do sétimo militar morto, o sargento Tzahi Yitah, de 19 anos, para que retire logo as tropas do país vizinho.
"Já é demais! Meu filho Tzahi morreu no Líbano e eu quero que ele seja o último", disse-lhe Yafir Yitah. O rapaz foi enterrado neste domingo. Ele foi atingido por um míssil antitanque disparado contra seu posto.
Um outro fator de pressão é o crescente descontentamento no Exército, evidenciado pelo fato de os soldados já criticarem publicamente as decisões de seus comandantes e até darem entrevistas à imprensa questionando a permanência por mais tempo no Líbano.
A Síria exige que os israelenses lhe devolvam incondicionamente as Colinas do Golan, tomadas pelo Estado judeu na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e nega-se a retomar as negociações de paz enquanto Israel não se comprometer a retornar às fronteiras anteriores ao conflito.
Mas o governo israelense recusa-se a fazer isso e insiste que a abrangência da retirada do Golan dependerá do grau das garantias de segurança que os sírios oferecerem a Israel, cuja região norte já foi alvo de ataques do Hezbollah.
Ainda hoje, guerrilheiros do Hezbollah atacaram postos avançados de Israel e de sua milícia aliada no sul do Líbano, fazendo com que os israelenses disparassem contra supostos esconderijos da guerrilha e rompendo a relativa calma que prevaleceu durante os últimos dois dias. Não há informações imediatas sobre vítimas.





