Jerusalém, 02 (AE-AP) - Menos de um mês depois de Ehud Barak assumir o cargo de primeiro-ministro israelense com a promessa de impulsionar as conversações com os palestinos, ele enfrentou hoje (02) sua primeira crise com o líder palestino Yasser Arafat.
Enfurecido pela insistência de Barak em adiar uma das duas retiradas de tropas da Cisjordânia, Arafat acusou o líder israelense de tentar quebrar os acordos de paz.
Barak, em troca, advertiu Arafat de que ele estava sendo muito rígido, e o ministro do Exterior israelense, David Levy, acusou os palestinos de "fazer drama".
Para especialistas, a frustração pareceu ser genuína em ambos os lados e vai além da negociação de táticas. Isso porque a resolução da disputa fixará o tom para conversas decisivas futuras sobre o status final da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém.
Os palestinos vêem a retirada da Cisjordânia como um assunto de princípio e estão perplexo com o fato de Barak lhes pedir para que façam concessões em vez de se apressar para restabelecer a confiança perdida durante a administração de seu predecessor, o linha-dura Benjamim Netanyahu.
Barak, por sua vez, argumenta que os palestinos não conseguem enxergar a longo prazo. Ele defende que se devolver toda a terra da Cisjordânia prometida no acordo de Wye River, ele isolará os colonos judeus, criará novos conflitos e, possivelmente, mais violência que poderia danificar os prospectos para um acordo final de paz.
Netanyahu e Arafat assinaram o acordo de Wye River em outubro do ano passado na Casa Branca. Segundo o trato, entre outras coisas, Israel deveria entregar aos palestinos 13,1% de território da Cisjordânia em três fases. Netanyahu congelou o processo depois da primeira fase de transferência alegando que os palestinos estavam violando o mesmo acordo ao não intensificar a segurança.

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