Barak assegura a Arafat seu compromisso com a paz
Jerusalém, 02 (AE-ANSA) - O primeiro-ministro eleito de Israel, Ehud Barak, conversou hoje (02) por telefone pela primeira vez desde sua vitória nas eleições com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat,.
Segundo a rádio estatal israelense, Barak garantiu a Arafat que está disposto a prosseguir o processo de paz no mesmo caminho do premier Yitzhak Rabin, assassinado por um judeu de extrema direita em 1995.
Num aparente esforço para dissipar temores de que as negociações de paz com os outros vizinhos árabes poderão jogar para segundo plano as conversações com os palestinos, Barak afirmou que negociará sinultaneamente com sírios, libaneses e a ANP.
Os dois líderes concordaram em reunir-se depois da apresentação do novo governo israelense ao parlamento e que ele receba o voto de confiança, programado para a próxima semana. Ainda não foi fixada a data da reunião.
Barak, líder do Partido Trabalhista, derrotou o direitista Benjamin Netanyahu em 17 de maio. Em sua campanha, ele prometeu acelerar o processo de paz no Oriente Médio.
Uma pesquisa publicada hoje pelo diário Yediot Ahronot mostrou que dois terços dos israelenses consideram que Barak agiu bem na formação de seu novo governo.
Sessenta e seis por cento dos entrevistados responderam que o premier comportou-se "bem" ou de forma "satisfatória" nas negociações para a formação do governo, enquanto 30% disseram que ele atuou de forma imprópria. Quatro por cento não opinaram.
Barak, que conseguiu formar uma coalizão de 75 deputados no Knesset de 120 cadeiras, está certo de que obterá o voto de confiança parlamentar em seu governo na próxima semana.
O novo premier rechaçou hoje uma declaração do presidente americano, Bill Clinton, que afirmou que gostaria que os refugiados palestinos fossem "livres para viver onde queiram".
O porta-voz de Barak, Merav Parsi-Zadok, disse que o novo premier "considera inaceitável" a posição do presidente Clinton sobre a questão do "direito ao retorno" dos refugiados palestinos por causa da forma como as declarações de quinta-feira em Washington "poderiam ser interpretadas".
"É provável que trata-se de um mal-entendido - acrescentou - e seria oportuno que a administração americana a esclareça ou a corrija".
Israel teme que as declarações de Clinton possam ser interpretadas pelos palestinos como um apoio ao pedido de retorno dos refugiados às casas que abandonaram em Israel em 1948.
A questão dos refugiados é uma das mais complexas e delicadas do conflito palestino-israelense.
Para Israel, o retorno de centenas de milhares de refugiados palestinos ao país significaria o seu fim como Estado judeu. O país está disposto, em troca, a discutir o retorno dos refugiados que fugiram da Cisjordânia na guerra de 1967 e não exclui o pagamento de indenizações para os de 1948.
Entretanto, em Paris, o chanceler egípcio, Amr Mussa, participando da comitiva do presidente Hosni Mubarak, chegando de Washington, disse hoje que Barak deve "restabelecer a confiança" em seu compromisso com a paz, confirmando-o com todos os protagonistas do processo de paz do Oriente Médio, e implementando os acordos de Wye Plantation".
Mussa, que falou com jornalistas depois de um encontro com seu colega francês, Hubert Vedrine, insistiu que a implementação dos acordos palestino-israelenses "é uma questão fundamental".





