Jerusalém, 30 (AE-AP) - O primeiro-ministro eleito de Israel, o trabalhista Ehud Barak, fechou hoje (30) um acordo de coalizão com o poderoso partido ultra-ortodoxo Shas e comunicou à Knesset que concluiu a formação de seu governo. "Como requerido, Barak enviou uma carta informando ao Parlamento que já tem uma coalizão", disse sua porta-voz, Merav Parsi-Tzadok. "Ele apresentará seu governo na próxima semana."
A entrada do Shas garante àquela que já é chamada pelos trabalhistas de "coalizão da paz", com 69 das 120 cadeiras do Parlamento. Merav disse que mais duas agremiações deverão unir-se ao governo do ex-chefe do Estado-Maior, dando-lhe assim 77 cadeiras. E, nas decisões que favoreçam a paz, Barak poderá ainda contar com os dez deputados árabes. Desde 1967 um líder trabalhista não dispunha de tanto apoio parlamentar, o qual deverá permitir a Barak retomar e fazer avançar o processo de paz com os árabes.
"Haverá partidos de todas as partes do espectro político no governo de Barak, que assim cumpre sua promessa de criar uma ampla coalizão para curar as feridas na sociedade israelense", afirmou Merav.
Barak trabalhou dia e noite para formar sua coalizão desde que derrotou o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu na eleição de 17 de maio para a chefia de governo e tem até o dia 8 para apresentar seu gabinete. O Shas, que foi um dos pilares do governo de Neanyahu, obteve 17 cadeiras na Knesset, ficando atrás apenas do Partido Trabalhista (26) e do direitista Likud, de Netanyahu (19).
Conforme o acordo acertado com Barak, o Shas ficará com os Ministérios da Infra-Estrutura, Trabalho, Saúde e Assuntos Religiosos. Embora tenha sido um dos pilares do governo Netanyahu e seja combatido pelos secularistas, o Shas tem adotado uma posição relativamente moderada com relação às negociações com os árabes e à troca de terras por paz.

mockup