Jerusalém, 09 (AE-AP) - O novo primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, manteve hoje (09) em Alexandria uma otimista reunião com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e, de volta a Jerusalém
afirmou que o Estado palestino, na prática, já existe e o objetivo de Israel é garantir que ele não se torne uma ameaça. "Na realidade, de fato, já há um Estado palestino, como (o ex-chanceler linha-dura) Ariel Sharon disse há mais de um ano", afirmou o líder trabalhista ao Canal 2 da TV israelense. "A questão é como nós podemos fazer com que ele não se torne nem um inimigo nem uma ameaça para Israel."
A declaração foi feita durante a primeira entrevista de Barak à imprensa israelense desde sua posse, na terça-feira, e coincidiu com a informação do jornal Maariv de que o dirigente está disposto a aceitar a criação formal de um Estado palestino em troca de negociações rápidas - que seriam completadas daqui a 12 ou 18 meses -sobre o status final da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. O acerto pretendido por Barak, segundo o jornal, incluiria modificações no acordo de Wye Plantation, que foi firmado em outubro e prevê a desocupação de 13,1% da Cisjordânia em três etapas, das quais Israel só cumpriu uma.
Na entrevista de hoje, o primeiro-ministro - que se reunirá no domingo com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat - anunciou, de fato, a intenção de combinar a colocação em prática do pacto de Wye Plantation com um futuro tratado final de paz com os palestinos. "O acordo de Wye será posto em prática. A questão que eu e Arafat discutiremos é se podemos, juntos, descobrir uma forma de combinar isso com um acordo sobre o status final."
A AP não reagiu imediatamente às afirmações do primeiro-ministro, mas tem pedido que as etapas restantes do pacto de Wye sejam cumpridas imediatamente. "Chegou a hora da verdade, tanto para Israel como para os palestinos", disse hoje o negociador-chefe da AP, Saeb Erekat, antes da entrevista de Barak. "É preciso começar a adotar os acordos."
A expectativa é otimista. Em Alexandria, depois de receber Barak, Mubarak afirmou ter "grandes esperanças" de que o líder israelense, que forjou uma ampla coalizão (com 75 das 120 cadeiras do Parlamento), faça progressos no processo de paz. Mubarak assinalou, entretanto, que é preciso esperar um pouco para isso: "Dê ao homem algum tempo, dois meses, algo assim, para fazer uma reformulação, uma boa estimativa da situação, para aí sim avançar diretamente e firmemente no processo de paz."

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