O pavilhão do Parque Barigui, preparado com 8 mil cadeiras, não chegou a ficar lotado, como se esperava, sábado à tarde. Mas quem compareceu assistiu ao momento mais bonito de toda a programação cumprida pelo imperador e a imperatriz no Paraná. Foi um encontro festivo e emocionado com japoneses e descendentes, que durou pouco mais de uma hora.
Crianças, idosos em cadeiras de rodas e com bengalas, outros embrulhados em cobertores e curiosos sem qualquer ascendência japonesa se misturaram no pavilhão, embelezado com milhares de enfeites japoneses (tanabatas e origamis). Broches, bonés, canetas e chaveiros alusivos à visita eram vendidos em barracas.
Akihito e Michiko chegaram pontualmente às 15h45, como estava previsto. Instalados num palco semicircular forrado com tapetes vermelhos, ouviram primeiro uma saudação emocionada do deputado Antônio Ueno, que comandou os gritos de ‘‘Banzai’’.
Depois da execução dos hinos do Japão e do Brasil, o prefeito Cássio Taniguchi discursou, lembrando a história dos imigrantes japoneses no Paraná e o retorno de muitos descendentes ao Japão, nas últimas décadas. O governador Jaime Lerner falou sobre a irmandade entre o Paraná e o Japão e disse que a visita é ‘‘um formidável exemplo de interação’’.
Os discursos, ambos em português, foram traduzidos simultaneamente para o casal imperial por uma nissei.
Na sua rápida fala, o imperador lembrou a visita que fez ao Paraná, há 19 anos, quando ainda era príncipe, e se disse ‘‘orgulhoso’’ pela participação de japoneses e descendentes no desenvolvimento da agricultura paranaense. Também fez questão de agradecer a ajuda prestada pelos paranaenses às vítimas do terremoto de Kobe, há dois anos.
O programa incluiu apresentação de danças típicas de sete etnias e uma saudação feita em japonês por uma menina da quinta geração de imigrantes. Mas o ponto alto, que emocionou muitos dos presentes, foi a apresentação de um coral de 350 crianças, a grande maioria descendente de japoneses. Usando batas brancas com uma gralha azul estampada, elas cantaram ‘‘Gralha Azul’’ e duas canções em japonês - entre elas uma canção de ninar composta pela imperatriz.
Depois disso, foi estendido o tapete vermelho para que o casal caminhasse até a cadeira de rodas onde estava Tomi Nakagawa, de 91 anos, de Londrina, a única sobrevivente do navio Kasato Maru, que chegou em 1908 ao Brasil com os primeiros imigrantes japoneses.
O casal conversou em japonês com a imigrante. A imperatriz agradeceu os presentes que recebeu antes do encontro - um livro de poemas e um álbum de fotos da família imperial - e, respondendo a uma pergunta do imperador, contou que chegou ao Brasil ainda bebê, no colo da mãe. Antes de se despedir, a imperatriz recomendou a Tomi Nakagawa que tome cuidado com a saúde, por causa do frio.
‘‘Foi uma emoção que nunca esperamos ter’’, disse Eiko, uma das filhas de Dona Tomi.

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