Porto Alegre, 27 (AE) - O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) teve lucro líquido de R$ 60,7 milhões em 1999. O resultado, anunciado hoje pela manhã, corresponde a uma rentabilidade de 12% sobre o patrimônio líquido de R$ 507,5 milhões. No ano anterior, a instituição havia apurado um prejuízo de R$ 761,8 milhões em função dos ajustes decorrentes do Proes, o programa do governo federal para saneamento dos sistemas financeiros estaduais.
De acordo com o balanço divulgado hoje pelo governador Olívio Dutra (PT), diretores e pelo presidente do banco, João Verle, o caixa de R$ 3,2 bilhões proporcionado pelo Proes foi um dos principais responsáveis pelo desempenho do Banrisul. Aplicados em títulos públicos federais, os recursos geraram um resultado de R$ 612,8 milhões, 35,2% acima de 1998. No total, os ativos atingiram R$ 6,3 bilhões e as captações, incluindo fundos financeiros, R$ 5,5 bilhões. "O Proes foi bom para o Banrisul, que estava literalmente quebrado", comentou Verle. Segundo ele, o saneamento, negociado na administração anterior, impediu que o banco fosse liquidado ou tivesse apressada sua privatização, hoje descartada pelo governo do PT.
Durante todo o ano passado, a nova diretoria do Banrisul priorizou a reestruturação das áreas de crédito, evitando uma ação agressiva no segmento. Os departamentos de análise e deferimento de operações foram separados, assim como as diretorias comercial e de crédito. "Isto é fundamental para expandir as operações com segurança", disse o diretor financeiro, João Emílio Gazzana.
A postura conservadora resultou na redução de 8% no total da carteira de crédito do banco, que fechou em R$ 2,3 bilhões. A queda maior na receita gerada pelas operações, de 11% em relação ao ano anterior (para R$ 633,3 milhões), deveu-se à diminuição nas taxas de juros, mas foi compensada pelo aumento dos ganhos nas operações de tesouraria (com títulos), explicou Gazzana.
Com uma inadimplência ao redor de 5%, o banco gaúcho fechou o ano passado com provisões totais de R$ 600,7 milhões para operações de liquidação duvidosa. Conforme o diretor financeiro, o valor corresponde a 338% do total de créditos em liquidação e com atraso de mais de 60 dias, garantindo um "bom colchão para eventuais dissabores do mercado".
Conforme Gazzana, 1999 foi um período de "transição" para o banco em relação à carteira de crédito. À medida em que a taxa básica de juros paga pelo governo federal e a inadimplência no mercado forem caindo, a instituição deverá ampliar sua oferta de financiamentos como fonte de geração de receita. "Estamos desenvolvendo produtos para grandes clientes, para a área do comércio varejista e para pessoas físicas", informou o diretor comercial, Bolívar Moura Neto. Segundo ele, o segmento de pessoas físicas é o que tem maior potencial de crescimento, pois hoje corresponde a menos de 10% da carteira total.
O Banrisul também optou por um incremento modesto das captações em 1999, com um crescimento de 1,5%, para R$ 5,519 bilhões. Capitalizado pelo Proes, o banco decidiu abrir mão de algumas operações com taxas mais altas no atacado e deu preferência às captações via rede de 678 agências e postos de atendimento, que reúnem 1,78 milhões de clientes e 2,88 milhões de contas correntes e cadernetas de poupança.
A maior expansão entre 1998 e 1999 ocorreu nos depósitos à vista, que avançaram 53,5%, para R$ 711 milhões. Os depósitos a prazo recuaram de R$ 2,11 bilhões para R$ 1,90 bilhão e as cadernetas de poupança aumentaram de R$ 1,38 bilhão para R$ 1,42 bilhão no período.
O presidente João Verle destacou ainda redução de 10% nas despesas administrativas do banco, para R$ 520,3 milhões. Ao mesmo tempo, as receitas com prestações de serviços subiram de R$ 232,4 milhões para R$ 257,6 milhões e cobriram 73% das despesas com pessoal. A meta para este ano é pagar 100% dos salários com essas receitas.
Conforme o executivo, a folha de pagamento do Banrisul recuou 6% em 1999, para R$ 349,9 milhões, "sem demissões". O número de empregados foi reduzido em 312 no período, para 7.699, em função basicamente de aposentadorias, explicou. Cada funcionário também recebeu R$ 1.715,00 em dezembro como participação sobre os resultados do banco.
Verle defendeu a viabilidade do Banrisul como banco público com atuação predominante no Rio Grande do Sul mesmo diante do aumento de escala dos concorrentes, boa parte já sob controle de instituições internacionais, como o Meridional, recentemente adquirido pelo espanhol Santander. "Temos credibilidade, estamos em mais de 75% dos municípios do Estado, temos bons produtos, estamos nos modernizando e podemos sobreviver diferente da tendência mundial de concentração". Durante este ano, R$ 30 milhões serão investidos na automação da "grande maioria" das agências, revelou o presidente.

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