Banqueiros americanos esperam maiores ajustes
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
por Gisele Regatão, da AE 
Nova York ,11 (AE) - Os progressos realizados pelo governo brasileiro até agora e a reviravolta obtida desde a crise provocada com a desvalorização do real em 13 de janeiro não foram o bastante para convencer todos os banqueiros americanos. "A situação atual não é sustentável por muito tempo", alertou o economista-chefe para a América Latina do banco Paribas em Nova York, John Welch, que participou do jantar oferecido pelo The Economic Club na noite de ontem (10) para o presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com Welch, o aumento e a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) por 36 meses, apontada como uma vitória do governo no Congresso, não é suficiente para fechar o rombro do déficit fiscal. "O ano que vem é um ano eleitoral. Isso significa que se o governo não conseguir implantar novas reformas neste ano, com o fim da CPMF em 2001 os problemas voltarão", disse o economista do Paribas. "A grande preocupação segue sendo sobre a persistência do ajuste fiscal", concordou o presidente do BBA Securities Corp., Edmar Bacha, também presente no jantar. "Esse é o coração do problema", acrescentou. Bacha disse ainda temer que o Congresso brasileiro pense que já fez o suficiente e que não contribua para a aprovação de reformas mais sustentáveis.
Na avaliação do gerente do departamento de economia para a America Latina do Merrill Lynch em NY, Francis Freisinger, o Brasil ainda está passando por um estágio de recuperação. O economista acedita que a receptividade do presidente Fernando Henrique Cardoso no jantar m Nova York comprova que o Brasil está recuperando a confiança dos mercados internacionais, mas ainda faltam progressos a ser feitos. Segundo Freisinger, o Merril Lynch acredita que a inflação brasileira ficará na casa de um dígito neste ano, mas suas projeções sobre a balança comercial são ainda mais pessimistas que as do governo: entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. O governo está trabalhando com estimativas de US$ 7 bilhões, já bem abaixo dos US$ 11 bilhões acordados com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas há interpretações bastante otimistas sobre o Brasil entre a comunidade financeira americana. O vice-presidente do conselho do Goldman Sachs, Robert Hormats, disse ter ficado "altamente impressionado" com o discurso do presidente FHC. De acordo com Hormats, embora o Brasil ainda mereça uma avaliação cuidadosa "como qualquer mercado emergente", os resultados obtidos até agora conseguiram reduzir drasticamente os riscos e os temores em relação ao país. A queda nas taxas de juros foi apontada pelo vice-presidente do conselho do Citibank, William Rhodes, como um dos principais progressos obtidos pelo Brasil. "As altas taxas de juros estavam agravando ainda mais a situação do país", afirmou. De acordo com o executivo do Citibank, existe muita confiança de que o Brasil está caminhando na direção certa. "Os bancos não estão apenas ouvindo, mas estão apostando no Brasil." Rhodes, que coordenou o acordo dos bancos comerciais para prorrogação das linhas de crédito ao Brasil em março, estarará também no centro de um café da manhã as 9 horas de hoje (11) com a presença de 12 investidores e do presidente FHC.


