Banqueiro Reichstul é o novo presidente da Petrobrás
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domingo, 21 de março de 1999
Por Suely Caldas 
Rio, 22 (AE) - O novo presidente da Petrobrás é o banqueiro francês naturalizado brasileiro Henri Philipe Reichstul, sócio e amigo do ex-ministro João Sayad no Banco Inter American Express e com quem trabalhou no Ministério do Planejamento na gestão do ex-presidente José Sarney. A indicação foi fechada hoje, em audiência do ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, junto com a composição do novo Conselho de Administração que será eleito quarta-feira, em assembléia-geral da estatal.
Além de Reichstul e do ministro Tourinho, que o presidirá, o conselho será integrado pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômicos e Social (BNDES), José Pio Borges, pela diretora superintendente da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), Maria Silvia Bastos (que representará os sócios minoritários da estatal), pelo ex-ministro do Exército Zenildo de Lucena, pelos empresários Jaime Rotstein (dirigente da Sondotécnica e especialista em energia) e Gerald Reiss e por um representante dos funcionários, a ser escolhido por eles.
As negociações do governo com Henri Philippe Reichstul começaram há pouco mais de um mês, depois que o presidente da República desistiu da indicação do ex-ministro Luis Carlos Mendonça de Barros em decorrência de violentas reações contrárias dos partidos da base aliada. O nome de Reichstul, porém, foi guardado a sete chaves nesse período, para evitar pressões políticas como as que detonaram Mendonça de Barros. O novo presidente não conhece a Petrobrás, nunca trabalhou em empresa de petróleo e não é amigo pessoal do presidente da República. Ele trás, porém, dois atributos que o FHC definiu como essenciais para administrar a Petrobrás, depois do fim do monopólio: trabalhou no governo, justamente na área de controle das estatais, e tem experiência e competência reconhecidas em gestão privada.
Embora o conheça desde os tempos de governo Sarney, Fernando Henrique tem poucas informações sobre seu desempenho profissional, mas ouviu recomendações positivas de pessoas em quem confia, entre eles o atual presidente do Banco do Brasil, Andréa Calabi, de quem Reichstul é amigo. O novo presidente da Petrobrás já se desligou de suas atividades no Banco Inter American Express. É possível que na assembléia-geral de quarta-feira seja também conhecido o nome do diretor-financeiro da estatal, que substituirá Orlando Galvão. Os demais diretores serão indicados nos próximos dias.
A presença de um general de Exército no Conselho da Petrobrás (o general Zenildo de Lucena) tem o propósito de acalmar possíveis pressões nacionalistas de grupos militares, que ainda hoje vêem a Petrobrás como o símbolo da soberania nacional. O governo entende que, com o fim do monopólio, a estatal terá de abrir mão de fatias de mercado para empresas estrangeiras que virão para o País investir e estimular a concorrência. Essa passagem do regime monopolista para o de livre competição pode ser mal interpretado por militares nacionalistas e ao general Zenildo caberá explicar a nova realidade para a caserna. Por razões parecidas, o governo decidiu também nomear um representante dos trabalhadores para integrar o Conselho.


