BRASÍLIA - O governo federal está preocupado com os acidentes de trânsito durante o Carnaval e vai montar uma operação de guerra a partir de sábado. ‘‘Tememos um banho de sangue durante o Carnaval’’, diz José Roberto Souza Dias, secretário-executivo do Grupo Executivo de Redução de Acidentes nas Estradas (Gerat), ligado à Casa Civil da Presidência da República. A Polícia Rodoviária Federal colocará nove mil policiais nas estradas, 2.500 viaturas e 500 bafômetros. O Ministério do Exército ainda irá contribuir com mais 1.500 soldados para auxiliar a fiscalização.
O policiamento irá priorizar 50 trechos críticos em 14 rodovias espalhadas por dez Estados. Em São Paulo, serão fiscalizadas a BR-116, nas ligações com Curitiba e Rio de Janeiro, e a BR-381, que liga a capital a Minas Gerais. ‘‘Vamos concentrar nossas operações nas estradas que levam ao litoral’’, explica Paulo Perdigão Borde, coordenador-geral de operações da Polícia Rodoviária Federal. O Exército avisa que pretende colocar um contingente de soldados nas barreiras e de 50 em 50 quilômetros nas proximidades das cidades.
‘‘O motorista precisa estar consciente que se ele beber e dirigir poderá ser parado, ter a carteira apreendida e terminar a viagem mais cedo’’, alerta Dias, do Gerat. Ele adverte que a maioria dos acidentes graves ocorre nas primeiras horas da viagem e quando a pessoa está retornando para casa. ‘‘É quando o motorista está mais ansioso’’, diz Dias.
Os números dos acidentes ocorridos no Ano Novo alertaram o governo. Na última entrada de ano, houve um aumento de acidentes de 83,99% em relação ao ano anterior. É um número preocupante, se comparado ao crescimento de acidentes no ano de 1996, que foi de apenas 21,79% em relação a 1995. Na virada do ano, o número de mortos subiu 46,71% e de feridos 54,87%. No ano de 1996, o número de mortos cresceu apenas 6,71%, e o de feridos graves 13,89%.
‘‘No Carnaval a tendência é que o número de acidentes e de mortos aumente 30%, em média’’, diz o secretário do Gerat. ‘‘A velocidade aumenta com a ingestão de álcool’’, alerta. A estimativa é que um milhão de veículos (da frota de cinco milhões) deixe a cidade de São Paulo durante o Carnaval. Dias adverte que, se o tempo estiver ótimo, devem descer no sistema Imigrantes-Anchieta 450 mil veículos, e se o tempo estiver ruim, esse número cairá para 300 mil.

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