Os banhistas ignoraram a cólera e lotaram as praias do litoral paranaense. Apesar de ter sido registrado um caso da doença no balenário de Pontal do Sul, não havia qualquer restrição ao banho e ao comércio de peixes. Em Praia de Leste, banhistas compravam peixes pescados a poucos metros de uma rede de esgoto que cortava a praia e desembocava no mar.
Eram poucas as pessoas que se precaviam, como a dona de casa Lurdes da Silva, 45 anos, que reside em Telêmaco Borba. Com medo da doença, Lurdes retirou o peixe do cardápio da família ontem, apesar de ser Sexta-Feira Santa, e obrigou a família tomar apenas água mineral.
A postura da curitibana Fátima Grande, 40 anos, foi bem diferente. ‘‘Acho que (o vibrião) está nos mangues. O Litoral não tem isso’’, afirmou ela, enquanto comprava um quilo de camarão. Mas, ao contrário de Fátima, eram poucos os que procuravam a Peixaria Pontal do Sul ontem de manhã. Segundo o dono da peixaria, Djalma Tavares de Campos, 68 anos, a venda foi muito fraca.
A poucos metros dali, na areia da praia, o fotógrafo Felipe Salgado, 49 anos, reclamava da atuação dos agentes de saúde do Estado, que, segundo ele, teriam colocado placas nos bares com informações sobre a cólera. ‘‘Ao invés disso deviam fazer escoar esse esgoto, onde as crianças tomam banho’’, disse ele, apontando para a água pastosa e verde que se acumulava pouco antes da areia da praia.

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