Banespa criará plano para evitar passivo com aposentadoria
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Carla Franco 
São Paulo, 28 (AE) - O presidente do Banespa, Eduardo Guimarães, confirmou que o banco vai criar um plano de complementação de aposentadoria para os funcionários admitidos depois de maio de 1975. Ele explicou que o plano atual desses funcionários embute um desequilíbrio potencial que geraria um passivo de R$ 1 bilhão, sendo que o banco seria responsável por metade desse valor. "Notamos um desequilíbrio potencial nos planos de seguridade pós-75", afirmou.
Segundo ele, o novo plano vai oferecer incentivos aos funcionários, entre eles, a possibilidade de aumento do valor de resgate das contribuições em caso de desligamento do banco. Além do passivo potencial de R$ 1 bilhão, Guimarães disse que há outros "passivos escondidos "referentes a ações trabalhistas contra o banco na Justiça. Ele não revelou os valores. Segundo ele, a auditoria preparatória da privatização está estudando as possibilidades de as decisões judiciais serem favoráveis ao banco para que seja definido o valor das provisões.
O presidente do Banespa confirmou que o edital de pré-qualificação de privatização do banco será divulgado até o dia 15 de janeiro. Segundo ele, a abertura do data-room com as informações relativas à instituição deverá ocorrer entre o final de fevereiro e o início de março. "As informações completas para o data-room vão depender do balanço de 99", ressaltou Guimarães. O preço mínimo de venda do banco, que será privatizado em meados de maio, será fixado somente no edital de venda com data de divulgação ainda não definida.
Eduardo Guimarães informou que o balanço patrimonial relativo a 99 só deverá ser divulgado em fevereiro. Ele esclareceu que o balanço patrimonial de 99 deve contabilizar créditos fiscais no valor de R$ 600 milhões referentes a impostos gerados com a Receita Federal. Segundo ele, a provisão de R$ 1,813 bilhão referente à autuação da Receita já contabiliza créditos fiscais de R$ 1 bilhão referentes à própria autuação feita em decorrência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Em novembro, o Banespa registrava um lucro acumulado no ano de R$ 1,1 bilhão.
O presidente do Banespa disse que o banco ainda está estudando a oferta da Duke Energy, compradora da Cesp Paranapanema, para a compra das ações da instituição na Cesp. Segundo ele, o Banespa tem prazo até o dia 26 para decidir se aceita a oferta. Ele disse ainda que a venda das ações não terá, necessariamente, grande efeito sobre o balanço patrimonial, mas será refletida no preço mínimo a ser fixado no edital de venda. Ele confirmou que a decisão sobre a venda dos 19,3% das ações do banco na Cesp já está tomada. "Vamos vender as ações, receber em dinheiro e, provavelmente, aplicar os recursos em títulos públicos com liquidez imediata", disse Guimarães, esclarecendo que a operação não será uma simples troca das ações por títulos.


