Baneb deve ser vendido por R$ 300 milhões, sem lucro ao governo
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 01 (AE) - O leilão de privatização do Banco do Estado da Bahia (Baneb) foi confirmado para o mês de junho na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O valor da instituição, que completará 62 anos no mês da sua privatização, deve girar em torno de R$ 300 milhões, de acordo com avaliações do mercado financeiro baiano.
O governo do Estado não vai lucrar com o negócio porque investiu cerca de R$ 400 milhões para sanear o banco nos últimos meses. Além disso, terá de resgatar junto ao governo federal cerca de R$ 200 milhões em ações, dadas como garantia à União para a rolagem, em 97, da dívida de R$ 788 milhões de títulos públicos do governo da Bahia.
Contudo, o secretario da Fazenda, Albérico Mascarenhas, assinala que a privatização do Baneb será um excelente negócio para a administração estadual e está dentro da filosofia desestatizante do governo.O banco agora está saneado e dando lucro mas, a longo prazo, pelo seu tamanho para competir com o mercado precisaria de grandes investimentos, o que o governo baiano não tem interesse nem condições em fazer, explicou.
Resultados - O Baneb acumulou prejuízos em 96 (R$ 47 milhões) e 97 (R$ 50 milhões) mas deve fechar o balanço do ano passado com lucro. Segundo Mascarenhas, o primeiro trimestre de 98 ainda foi de deficit. Ainda estávamos fazendo os ajustes como a transferência da carteira imobiliária para a Caixa Econômica Federal e o repasse de créditos ao Banco de Desenvolvimento da Bahia - Desembanco, contou.
A partir do segundo semestre, o Baneb passou a registrar lucro. Os números finais de 98 só estarão prontos em abril, mas acredito que, no segundo semestre do ano passado, o lucro ficou em torno de R$ 30 milhões.
O cronograma da privatização prevê que um mês após a publicação do balanço, haverá a publicação do edital de venda e abertura da sala de dados sigilosos, período em que os interessados em participar do leilão poderão visitar o Baneb para obter informações sobre a instituição. Depois de saneado, o banco sofreu um forte enxugamento de pessoal, passando de 6 mil funcionários para 2,5 mil.
Tem 500 mil correntistas (principalmente servidores públicos) 580 mil contas de poupança, 170 agências e mais 192 postos de atendimento.


