Bando põe bomba em gerente de joalheria
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quinta-feira, 25 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Para assaltar uma fábrica de jóias no Bom Retiro, na região central de São Paulo, três bandidos sequestraram a mulher e o filho de 11 anos de um dos gerentes e amarraram uma bomba de fabricação caseira a seu corpo. O dispositivo, acionado por controle remoto, continha 100 gramas de pólvora negra e teve de ser desarmado por peritos do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM, no início da manhã de ontem. A operação para desativar o artefato, que tinha uma microcâmera acoplada, levou meia hora.
Depois de retirar a cinta que prendia os componentes, os policiais cortaram os fios que ligavam a fonte de alimentação à carga de explosivos. A quantidade encontrada poderia causar a morte da vítima e ferir outras pessoas num raio de 5 metros, explicou o capitão Diógenes Viegas Dalle Lucca, que comandou a operação. Segundo ele, é a terceira vez em seis meses que ocorre um assalto deste tipo.
A diferença é que, desta vez, a bomba continha explosivos. Em dezembro, três homens dominaram uma supervisora de caixa do Banespa, em São Caetano do Sul, sequestraram seu marido e os três filhos e amarraram um artefato falso em seu corpo. Ela foi obrigada a ir até a agência para sacar R$ 100 mil, mas o plano deu errado e os bandidos fugiram.
Em abril, 12 homens dominaram o vigia de um carro-forte em São José dos Campos e amarraram um dispositivo falso em volta de seu corpo. Os ladrões conseguiram levar vários malotes de dinheiro. O delegado-assistente do 2º Distrito Policial, Ubiraci de Oliveira, não descarta a possibilidade de os três assaltos terem sido praticados pela mesma quadrilha. Em todos os casos, as bombas apresentavam receptores para detonação por controle remoto.
A forma de agir dos assaltantes também tem várias semelhanças. As famílias da assistente de caixa, do vigilante e do gerente foram sequestradas enquanto as vítimas eram obrigadas a efetuar o roubo. O Gate está preparando um laudo técnico sobre o artefato.
Os três assaltantes dominaram o gerente Paulo Gonçalves de Lima, de 36 anos, às 18 horas de anteontem, quando ele chegava em sua casa na zona leste. Armados com metralhadora e pistolas e sem capuz, os bandidos dominaram Lima, sua mulher e o filho e exigiam que ele abrisse o cofre da fábrica de jóias Mirandouro. A família ficou como refém na residência até as 3 horas, quando foi levada à empresa, no Bom Retiro.
Os assaltantes seguiram para o local em um carro com a mulher e o filho do gerente. Lima foi na frente com a bomba amarrada ao seu corpo e um walkie-talkie. Pelo aparelho, comunicava-se com os sequestradores e recebia instruções. Ele aguardou a chegada dos outros gerentes até as 7 horas. A Mirandouro só pode ser aberta pelos quatro juntos.
Segundo o delegado José Carlos Cheddir, Lima foi até o cofre e retirou ouro e retalhos de diamantes para dar como resgate. A soma foi entregue aos criminosos em uma praça perto da empresa. A polícia não soube estimar o valor do que foi levado. Os ladrões só não esperaram porque desconfiavam que haviam sido denunciados. A polícia foi chamada por vizinhos. Os assaltantes fugiram e a mulher e o filho do gerente foram deixados na Via Anchieta.


