Curitiba – A Polícia Civil do Paraná prendeu ontem 13 pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha especializada em furtar e adulterar carros, explodir caixas eletrônicos e cometer sequestro. Segundo o delegado Cassiano Aufiero, titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) de Curitiba, um dos detidos é Leandro Sá Silva, de 33 anos, acusado de ser o líder do esquema e pertencente à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua dentro e fora de presídios brasileiros. A megaoperação foi batizada de "Conexão São Paulo", uma vez que os crimes aconteciam de forma articulada, nos dois Estados vizinhos. Até o fechamento desta edição, outros sete envolvidos seguiam foragidos.
Além de Silva, foram presos dez homens e duas mulheres, de 18 a 58 anos, entre empresários do setor de seminovos, receptadores, falsificadores e "bandidos profissionais". Foram cumpridos, ainda, 64 mandados de busca e apreensão, em 20 cidades dos dois Estados e também da Bahia. "As investigações começaram em junho de 2014, a partir do momento em que um Peugeot 307 foi roubado na região de Curitiba. Analisamos vários vestígios, como a impressão digital deixada no carro e números de telefones, e verificamos que por trás deste crime havia vários outros", explicou Aufiero.
Ele contou que automóveis receptados no Paraná eram adulterados, para posteriormente serem comercializados em São Paulo, e vice-versa. Nos dois anos de existência da quadrilha, pelo menos 300 foram furtados. "A movimentação costumava ser constante. Após roubados, esses veículos eram transformados em ‘quentes’ (clones) e vendidos como se fossem verdadeiros para todo o País, através da internet, com preços muito atrativos", afirmou. Os mesmos envolvidos arrombavam caixas eletrônicos, praticavam tráfico de drogas e trocavam carros por armas de grosso calibre no Paraguai. Conforme o delegado, porém, os compradores eram a princípio "pessoas de boa-fé", que não sabiam do esquema.
Aufiero disse não ter uma estimativa de quanto o grupo conseguiu acumular, em dinheiro. "Pode variar de acordo com os modelos. Havia desde carros populares até de alto luxo. Eles vendiam a 30% ou a 40% do valor de mercado". A polícia conseguiu recuperar 34 veículos, que passarão agora por uma perícia técnica, para comprovação da procedência. Silva, por exemplo, estava em posse de um Chevrolet Camaro, um Honda Civic e um Volkswagen Jetta. Os agentes ainda apreenderam um revólver calibre 32, munições diversas, peças automotivas e uma vasta documentação.

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