Bando invade joalheria e faz oito reféns
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Renato Lombardi<br> Agência Estado<br> De São Paulo 
Os assaltantes José Wagner dos Santos, de 37 anos, Francisco Rodrigues do Prado Filho, de 51, e a estudante M.R.C.A.S, de 16, armados com uma faca, uma pistola e um revólver dominaram na manhã de ontem o proprietário e sete funcionários da lapidação de pedras preciosas e jóias Higa, instalada no 3º andar da Rua Benjamin Constant, 122, no centro.
Eles pretendiam roubar ouro, dinheiro e diamantes. A polícia, avisada por um funcionário do prédio, chegou no momento em que os ladrões obrigavam o proprietário a abrir o cofre. Santos e Prado cheiraram cocaína durante o assalto e engoliram cerca de 20 anéis com brilhantes e diamantes antes de entregar as armas. Para libertar os reféns exigiram a presença de jornalistas da televisão. ''Sei que estão loucos para matar a gente. Nós já tomamos tiros da polícia. Quero a filmagem da tevê para ter a garantia que vamos sair vivos. Do contrário matamos todos. Amarrei uma granada numa das moças e vou explodir'', ameaçou Santos, que já cumpriu 15 anos de uma condenação de 42.
Um repórter e um cinegrafista foram autorizados a subir e filmaram o ladrão. ''Agora vamos soltar todo mundo e sair. Mas tem de ser sem violência'', exigiu Santos. Quase duas horas depois de iniciado o assalto, os reféns começaram a ser liberados.
A primeira a sair foi uma funcionária grávida que passou mal e chorava muito. Depois, um a um, os funcionários e o proprietário foram deixando a empresa. ''Entrei com o coronel e eles não quiseram a presença do policial fardado'', declarou o delegado Jorge Carrasco, da Seccional Centro. Com a saída do coronel Alexandre Melchior, comandante da PM na área central, os ladrões entregaram as armas ao delegado e foram algemados. Quanto à granada, tinham blefado.
As negociações para a liberação dos reféns foram feitas pelo delegado Carrasco. ''Expliquei que o prédio estava sendo vigiado por muitos policiais. Os andares também e em nenhuma hipótese saíriam'', disse Carrasco. Foram horas de tensão. ''O Francisco (Francisco Rodrigues do Prado Filho) estava agitado. Tinha cheirado cocaína, gritava muito e tivemos que negociar com calma e cuidado para preservar as vítimas'', explicou o delegado.
Prado passou os últimos 24 anos na prisão. Foi condenado a quase 100 anos por uma sequência de assaltos.


