Bando invade cadeia, agride policiais e solta presos
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 15 (AE) - Tiroteios, um preso morto, 29 presos recapturados e 11 foragidos. Esse foi o saldo da ação de uma quadrilha composta por 17 pessoas que invadiu hoje a delegacia do Campo Belo, na zona sul de São Paulo. Armados com submetralhadoras, espingardas, revólveres e pistolas, o objetivo dos criminosos era resgatar três ladrões de postos de gasolina. Eles dominaram e bateram nos cinco policiais de plantão e só não os mataram porque foram surpreendidos no momento em que engatilhavam uma das submetralhadoras para executar os policiais civis.
Naquele momento, 41 dos 136 presos da delegacia já haviam conseguido escapar a pé, pois a quadrilha abriu as portas das cinco celas da delegacia, feitas para abrigar 40 pessoas. Além dos fugitivos recapturados, os cerca de 80 policiais civis e militares que participaram da perseguição também prenderam nove homens e dois adolescentes acusados de pertencer à quadrilha que invadiu o 27º Distrito Policial - entre eles, Cláudio Renato dos Santos, de 20 anos, o Dentinho, que teria liderado o resgate.
A ação dos criminosos começou às 6 horas. Dois deles, vestidos com fardas da PM (até mesmo com coletes à prova de bala), entraram no plantão do 27º DP com uma mulher e com o adolescente R.F.S., de 16 anos, como se estivessem apresentando um caso na delegacia. Um investigador estava no balcão do plantão, a delegada Cristina Maria Alves de Oliveira estava em sua mesa e um escrivão, na sala ao lado. Os falsos PMs aproximaram-se, sacaram suas armas, dominaram os três policiais e mandaram todos deitar de bruços no chão, um ao lado do outro.
Os outros criminosos entraram, em seguida, e dominaram mais um investigador e um carcereiro. Tomaram as armas de três policiais, R$ 30,00 e o telefone celular da delegada. Pegaram as chaves das celas e as abriram. Estavam atrás de três bandidos: José Nivaldo Rodrigues Torres, o Ceará, Marcelo Minami, o Japonês, e Gilmar Ferreira Mendonça. Os três estavam na delegacia desde março, quando foram presos num roubo de um posto de gasolina. "Eles iam matar os policiais", disse o delegado Reinaldo Correa, do 27º DP.
Segundo ele, um dos bandidos apanhou a delegada pelos cabelos e disse: "Olha bem para a minha cara; eu sou bandido, você é polícia e eu vou te matar." Depois, bateu o rosto da delegada no chão e engatilhou a submetralhadora. Nesse momento, uma policial feminina, que havia estado pouco antes na delegacia
voltou e viu um dos criminosos na porta, vigiando. Esse bandido atirou três vezes na direção da policial, que escapou e chamou reforço. Os bandidos saíram correndo, disparando rajadas de balas. "O carcereiro aproveitou e fechou uma das portas da carceragem, impedindo a fuga dos demais presos", disse o delegado.
Os detentos que não conseguiram escapar, rebelaram-se e atearam fogo aos colchões. Os bombeiros apagaram o incêndio. Na Rua Princesa Isabel, no Campo Belo, Paulo Daniel Leite da Silva, de 21 anos, foi morto por policiais civis porque teria reagido à prisão. Ele era um dos 41 que haviam conseguido escapar.
Em um ônibus, na Avenida Vereador José Diniz, foi detido um dos que estavam com farda da PM, Manuz Lopes da Silva, de 25 anos. O outro falso PM foi preso no Socorro. José Ivanildo Alves Felizardo, de 32, havia sido solto na terça-feira do 27º DP. Ele estava num Monza com mais três membros do grupo, que fugiram. O carro recebeu 28 tiros, mas ninguém foi ferido. Outro ex-preso do 27º DP também participou do resgate e foi detido: Celso Alves de Melo, de 25, solto em junho.
Mais tarde, os policiais detiveram Dentinho, acusado de liderar o resgate, na casa de Luís Carlos dos Santos, um de seus irmãos, no Jardim Miriam. Luís Carlos também foi preso, pois estava sendo procurado pela Justiça desde que fugira do 97.º DP. Ao todo, os policiais apreenderam duas submetralhadoras, três espingardas, uma pistola e seis revólveres.


