Bando faz 60 reféns em assalto frustrado a shopping do Rio
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sexta-feira, 21 de maio de 1999
Por Gustavo Alves e Wilson Tosta 
Rio, 22 (AE) - Um assalto semelhante ao ocorrido no Banco do Brasil no fim da semana passada - quando bandidos fizeram reféns, arrombaram cofres e fugiram tranquilamente -, foi parcialmente frustrado, na madrugada de hoje, no shopping Barra Point, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Além de atacar, sem sucesso, o cofre de uma galeria de arte, cerca de 15 assaltantes invadiram o restaurante Turino e renderam mais de 60 pessoas, mas foram surpreendidos pela polícia. Houve tiroteio, um suspeito morreu, e quatro foram presos. Pelo menos dez assaltantes fugiram, sem o que queriam: jóias e dinheiro que teria sido arrecadado em um leilão de obras de arte.
Os bandidos chegaram por volta das 3h. Eles entraram por uma farmácia 24 horas que funciona no shopping, onde uma mulher loura e um rapaz renderam o gerente, José Primo, e um funcionário. Por ali passaram mais de dez assaltantes, munidos de maçaricos, serras e cilindros de gás. Os invasores renderam um vigia e foram até um escritório da Galeria Leilão das Artes, onde o leiloeiro, Amando da Fonseca Júnior, mantém o cofre.
Nele, segundo a administração do shopping, havia cerca de R$ 200 mil, mas, de acordo com Júnior, não havia nada de valor. Sem conseguir fazer o arrombamento, os assaltantes foram para o Turino, onde, depois de render cerca de 30 casais, roubaram dinheiro e jóias, comeram e beberam. Bem-vestidos, eles demonstraram tranquilidade e conhecimentos sobre o shopping. Os bandidos chegaram a ir até uma das salas da segurança, de onde eram operadas as câmeras de vigilância, onde quebraram equipamentos e roubaram as fitas de vídeo, para impossibilitar a sua identificação. "Nem vou levar seu relógio, sou profissional", disse um dos bandidos a Primo, segundo o relato do gerente.
Os policiais da 7ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar) chegaram por volta de 4h, atendendo a uma denúncia. Quando passaram pela farmácia, a mulher e um homem que parecia ser o chefe do bando fingiram se beijar, para não levantar suspeitas. Um dos assaltantes tentou levar Primo como refém, mas ele se desvencilhou. Foi morto pela PM André Luiz Ribeiro da Rocha, de 21 anos. Foram presos João Batista Câmara da Silva, de 40 anos; Cleber Augusto Bonfim, de 18; Valnei Sodré da Fonseca, de 29; e João Carlos Pereira, de 36.
A delegada Adriana Pereira Mendes, da 16ª Delegacia Policial (Barra da Tijuca) disse que testemunhas do assalto ao Banco do Brasil serão chamadas para tentar reconhecer os quatro presos. Ela suspeita que, pela maneira como os bandidos agiram, a mesma quadrilha tenha cometido os dois crimes. No shopping, os policiais encontraram três revólveres, uma pistola e três carros usados no assalto.
Leiloeiro - Fonseca Júnior disse que os bandidos não conseguiram arrombar o cofre porque é da marca Fichet, que pesa 1,5 t, tem 12 travas de segurança e três chapas de aço. "Não chegaram nem na primeira chapa", afirmou. "Para abrir com um maçarico, tinham que passar 24 horas." Filho do delegado Amando da Fonseca, Júnior disse que, por isso, tem "segurança especial". "Sempre tem um carro da Polícia Militar perto de onde estou", afirmou.


