Policiais e agentes federais, despachantes aduaneiros, empresários, caminhoneiros e fiscais de tributos foram presos em quatro cidades gaúchas como resultado de uma operação da Polícia Federal. Eles são acusados de vários crimes, entre os quais formação de quadrilha, descaminho e contrabando de equipamentos eletrônicos e de pedras preciosas. As pistas que conduziram às prisões – efetuadas no final da tarde de anteontem – estavam sendo seguidas pela Procuradoria da República no Rio Grande do Sul e a Superintendência Regional da PF.
Os nomes dos mais de 20 suspeitos detidos não foram revelados pelas autoridades, sob a alegação de que o processo transcorre em segredo de Justiça e que a divulgação poderia atrapalhar novas capturas. A quadrilha agia com ramificações além das fronteiras brasileiras, especialmente no Uruguai.
As prisões aconteceram em Porto Alegre, Eldorado do Sul, Bagé e Chuí. Há informações, ainda não confirmadas pelos procuradores federais, de que, entre os presos, figuram dois delegados e seis agentes da PF. Em Bagé, na região da Campanha, sete pessoas foram interrogadas e deveriam ser transferidas ontem para a capital. São seis diretores de empresas da área de transporte de cargas e uma comerciante de gás de cozinha.
A Procuradoria de República do Rio Grande do Sul divulgou nota ontem à tarde confirmando o envolvimento no delito por parte de ‘‘agentes investidos em cargos públicos’’. O texto elogia, porém, a superintendência regional da PF, que realizou as prisões, definindo seu trabalho como ‘‘um exemplo’’ de competência.
Citou que a PF possibilitou ‘‘desbaratar quadrilha do crime organizado internacional’’, ação que considerou ‘‘um marco no combate à corrupção’’. A PF também apreendeu várias carretas com produtos contrabandeados. Seu número ainda não foi divulgado. Extraoficialmente, seriam nove veículos. O procurador Luciano Feldens, da área criminal da Procuradoria da República, informou através da sua assessoria, que o valor da carga ‘‘ainda está sendo apurado’’.

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