Cinco policiais militares invadiram o velório do bandido Leonardo Pareja e arrancaram uma bandeira do Brasil que cobria seu corpo, ontem, em Goiânia. Logo depois, o caixão baixou à sepultura ao som do Hino Nacional. ‘‘Isso é apologia ao crime, está bem claro no Código Penal’’, afirmou o tenente Newton Castilho, do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Goiás, ao retirar a bandeira, colocada por um representante da seção goiana do grupo de defesa de direitos humanos Tortura Nunca Mais.
A intervenção da PM atrasou em alguns minutos o enterro, marcado inicialmente para as 12 horas, no Cemitério Parque Memorial. No momento do enterro havia cerca de 400 pessoas no local. Milhares de pessoas passaram antes pelo velório, que durou dezoito horas. Muitas fãs levaram flores, fotos e pôsteres com a foto de Pareja. Outras deixavam bilhetes no caixão ou num livro de condolências.
A confusão foi tanta que o corpo quase teve de retornar ao IML para ser embalsamado. Muitas pessoas ficaram pegando no corpo de Pareja, e a compressão fez com que começassem a vazar líquidos por suas narinas.
Durante o velório, a mãe de Leonardo, Luzia, deu até autógrafos. A cerimônia de sepultamento saiu de graça para ela. Uma entidade beneficente, que não quis ser identificada, pagou os custos do caixão, das flores e do traslado do corpo, orçado em cerca de R$ 800,00. O ex-advogado de Pareja, Natanael Lima Lacerda, conseguiu doação de R$ 1.280 para custear a sepultura.

mockup