Bandas cambiais acabam em crise, diz Fraga
Brasília, 26 (AE) - O presidente indicado do Banco Central, Armínio Fraga, apresentou aos senadores da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) algumas opiniões a respeito do cenário brasileiro. A seguir, algumas das teses defendidas por Fraga durante a sabatina:
Câmbio - "Regimes de bandas, mini-desvalorizações e outros métodos de administração da taxa de câmbio tendem a ser instáveis e mais cedo ou mais tarde acabam em crise. A experiência de vários países mostra que o regime de taxa de câmbio flutuante é um regime viável e sustentável. Dadas as características de nossa economia, com nossas dimensões continentais e baixo grau de abertura, não tenho dúvida quanto à adequação desse regime ao nosso caso."
Inflação - "O Plano Real teve como importante pilar de sustentação a âncora cambial, ou seja, o uso da taxa de câmbio como balizador das expectativas inflacionárias. O grande desafio que hoje se apresenta ao Banco Central é demonstrar claramente que a perda da âncora cambial não representa um abandono mas sim uma troca de âncora. A sociedade brasileira não quer a volta da inflação, não admite a volta da inflação. Cabe ao Banco Central garantir que isso não ocorra."
Política monetária - "Com um regime de taxas de câmbio flutuantes só existe uma opção: uma política monetária voltada para a preservação do valor da moeda, ou seja, para a manutenção de taxas de inflação baixas, equivalentes às praticadas nos principais centros internacionais. O controle da inflação é a meta principal da política monetária."
Juros - "Mesmo com a manutenção de uma política monetária restritiva, há espaço para que, no futuro próximo, se verifique uma queda na taxa de juros real relativamente às taxas dos últimos anos. Nesse período estávamos pagando um preço caro, decorrente dos riscos fiscais e cambiais que caracterizaram os últimos 18 meses. As altas taxas de juros em termos reais espelhavam uma preocupação do mercado com a trajetória do endividamento público e com o risco de uma desvalorização cambial."
Moratória - "Tenho absoluta convicção da necessidade de se respeitar contratos e compromissos. Não podemos deixar de mencionar a importância da estabilidade das regras do jogo. E, nesse caso, sou totalmente contra medidas arbitrárias e antidemocráticas. Minha resposta é não à moratória. Não acredito em soluções mágicas. O Brasil já tentou isso e é uma ilusão achar que existe uma solução por esse caminho."
Quarentena - "Sou a favor da quarentena na saída. Um integrante do governo não deve fazer uso de informações confidenciais em benefício próprio ou de outros. Mas na entrada não faz sentido não trazer informações do mercado para o governo."





