Agência Folha

Agência Estado
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No comandoO espetáculo de luzes e efeitos e supersom foi comandado por Bono Vox no meio do gelo seco: carisma irlandêsCom um público maior do que a lotação autorizada pelo Contru (Departamento de Controle de Uso de Imóveis), cerca de 95 mil pessoas segundo a Polícia Militar, a banda irlandesa U2 fez sábado no Estádio do Morumbi, em São Paulo, o último show da etapa brasileira da turnê mundial ‘‘PopMart’’, ‘‘Impossible’’, repetindo o mesmo repertório mostrado na sexta-feira. Até mesmo os agradecimentos de Bono (‘‘Obrigado por pagar um preço tão alto pelo ingresso’’) foram os iguais.
Durante o dia, Bono Vox reclamou de dores na garganta, mas sua performance não foi comprometida à noite. Antes da música ‘‘Staring at the Sun’’, o vocalista disse que pediria um favor aos brasileiros: ‘‘Ganhem a Copa do Mundo’’. Mas segundo a organização, o total de público no show de sábado foi 74.500 pessoas - exatamente a lotação autorizada. Esse total seria baseado na totalidade dos ingressos vendidos.
A organização também não havia recebido queixas de ingressos falsificados (apenas dez credenciais falsas foram apreendidas). No entanto, o inspetor fiscal da prefeitura Nadim Joukadar, que fiscaliza junto com a Ecad as portarias do estádio, declarou que, em apenas uma delas, cerca de 20 convites falsificados por meio de xerox colorido haviam sido recolhidos.
Esses dois órgãos estarão fazendo, nos próximos dias, a contagem de público por meio dos canhotos de ingressos. Assim, poderão obter o valor sobre o qual irão cobrar os 10% que o Ecad arrecada sobre a bilheteria e os outros 10% que serão recolhidos pela prefeitura como ISS.
Na bocaQuando o globo espelhado surgiu do meio do gelo seco e se abriu no Morumbi, a jogadora de vôlei Ana Paula, que estava grudada ao palco B, não aguentou: ‘‘Lindoooo!!! Maravilhosooo!!!’. Momentos de quase histeria como esse foram repetidos incontáveis vezes por todo o estádio durante as duas apresentações do U2 em São Paulo.
Por trás deles, fãs que se comportavam como se estivessem num programa de auditório - cujo ápice era a corrida de uma delas para os braços do ídolo - formaram o público paulistano do U2. Eram jovens adultos, de quase 20 a menos de 30, que podem ser chamados de bem-nascidos para os padrões brasileiros. Afinal de contas, não é exatamente fácil pagar R$ 50 por um ingresso.
Alguns deles, no entanto, ficaram indignados em um momento. Parecia estar tudo perfeito, no lugar, até que Bono beijou o guitarrista The Edge na boca. Aí o corogritando ‘‘bicha’’ e ‘‘veado’’ foi inevitável.
ProcessoOs postos médicos haviam atendido 620 pessoas até às 20 horas - mais do que o dobro da sexta-feira. Segundo o chefe da equipe médica, João Makiunik, a maioria foi ao posto por causa do calor. A polícia registrou até às 23 horas 35 ocorrências, a maioria por posse de entorpecentes. Entre 22h30 e 23 horas, a rampa de madeira que deu acesso do setor 5 ao gramado se rompeu, mas não causou vítimas. A PM isolou a área. Diferentemente de terça no Rio e de sexta-feira em SP, Gabriel o Pensador abriu as apresentações. A banda brasiliense Bootnafat fez o show antes do U2.
Paul McGuiness, empresário do U2 há 21 anos, disse que pretende processar a Cervejaria Skol pela propaganda de TV veiculada pela marca, uma das patrocinadoras do show no Brasil, em que usava atores parecidos com membros da banda. ‘‘Se ganharmos, daremos o dinheiro para obras de caridade no Brasil’’, disse McGuiness. Até a conclusão desta edição, ninguém da Skol foi encontrado para comentar a declaração.
Os integrantes do U2 ficaram durante todo o sábado no Hotel Renaissance, no Jardim Paulista. Saíram só às 18h15, pela porta de trás, em quatro Mercedes pretas. Chegaram ao Morumbi às 18h45. De madrugada, The Edge, Larry Mullen (baterista) e Adam Clayton (baixista) jantaram n’O Leopoldo.

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