Banda C do celular será muito disputada em 2000
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segunda-feira, 25 de outubro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 25 (AE) - As licitações para a operação do Personal Communications System (PCS), um sistema celular que já está sendo chamado de banda C pelos executivos do mercado de telecomunicações, devem ser muitos disputadas. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) vai oferecer as novas licenças no início do ano 2000, numa licitação que ainda não tem regras definidas. Mas a implementação do PCS no Brasil pode ser atropelada pela nova tecnologia de terceira geração da telefonia móvel.
O presidente da Telia Internacional, Hans Golteus, disse que considera investir em novas licenças de PCS, inclusive no litoral e interior de São Paulo, onde já opera a Banda B com a Tess. Ele considera que a Anatel deveria diminuir as restrições à participação estrangeira. Outro sócio da Tess, o presidente da Algar Telecom, José Manuel Leal Costa, afirmou que haverá grande disputa por licenças de PCS nas capitais e maiores cidades, mas os valores serão menores que os da Banda B porque a nova operação será mais um complemento às atuais.
A capacidade limitada do expectro de frequência destinado às bandas A e B é um dos motivos de interesse da Telia
segundo Golteus. Para o PCS, a Anatel deve definir frequência entre 1850-1910 MHz e 1910-1990 MHz, nesse expectro deverá ser incluída a terceira geração de celulares, com capacidade multimídia, além da conexão à Internet. Portanto, especialistas da indústria de telecomunicações avaliam que o PCS ficará restrito à frequência até 1930 Mhz.
"O PCS vai ser engolido pela terceira geração", disse o diretor de telecomunicações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Roberto Isnard. Golteus também avalia que o PCS possa ser ultrapassado pelas novas tecnologias, embora a Anatel tenha decidido lançá-lo mesmo com a iminência da terceira geração. A Telia conquistou este ano a primeira licença de operação do celular de terceira geração na Finlândia, que deve ter início em 2001, e está disputando outra na Inglaterra.
"Vai haver uma explosão do uso de celular", comentou Golteus. Será possível fazer transmissão de dados completa pelo celular com esse novo sistema, incluindo o débito no cartão de crédito pelo aparelho. Essas experiências foram demonstradas na feira internacional de telecomunicações realizada em Genebra no início do mês. A União Internacional de Telecomunicações (UIT), que organizou a Telecom 99, está também tentando estabelecer um padrão para a telefonia celular de terceira geração, chamado de Mobile Telecommunications System (MTS).
Alguns países já iniciaram operações com o padrão Wireless Application Protocol (WAP), que permite conexão à Internet e comunicação por e-mail em aparelhos com visor maior para permitir a melhor visualização dos dados, mas ainda é uma tecnologia anterior ao MTS. A Telia deve trazer a WAP para o Brasil na Tess para o próximo ano, um passo seguinte ao serviço de mensagens curtas pelo celular.
Para a terceira geração chegar ao Brasil, as operadoras terão de adaptar sua infra-estrutura ao novo padrão que opera em uma faixa de frequência mais larga. Segundo o presidente do Conselho da Ericsson, Carlos de Paiva Lopes, esses investimentos só vão acontecer quando a Anatel divulgar um cronograma para o mercado. Num estudo recente, a UIT afirma que a terceira geração pode demorar mais a chegar nos países onde a geração de celulares digitais está bem implantada, como no Brasil.


