São Paulo, 19 (AE) - Alguns bancos já estão trabalhando com o dólar a R$ 2,12 para o próximo ano, afirma o economista Reinaldo Cafeo, do Boletim Economia. De acordo com ele, essas instituições estão fazendo um exercício simples: "Consideram os juros futuros, a taxa básica projetada para o ano na casa de 26% e retiram o rendimento das aplicações em dólar, na casa de 11% ao ano." Depois, acrescenta o economista, tendo o valor provável da desvalorização do real, que é um simples cálculo de valorização de ativo, considera-se a oferta e procura, a inflação interna e a dos parceiros internacionais, o ganho em produtividade e a desoneração fiscal.
"No fundo, o que esses bancos estão fazendo é proteger seus ativos ("hedge"). Cafeo diz que, neste momento, preferem ficar comprados em dólar, tendo portanto sobras, do que vendidos (falta de dólares). "Há um custo nisso, mas o risco é diluído. Por isso toda a pressão sobre o câmbio", explica. Na sua análise diária, enviada pela Internet, Cafeo diz que o mercado está comprador, em função da insegurança sobre as votações das reformas, sobre o desempenho da balança comercial e sobre o agravamento da crise Argentina, além da pressão dos EUA. "Até mesmo o governo vem se protegendo. Enxugou a quantidade de títulos públicos corrigidos pelo dólar em poder do mercado e isso faz o mercado ficar mais apreensivo ainda", acrescenta.

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