Brasília, 14 (AE) - As instituições financeiras instaladas no País têm embutido uma margem de lucro de 31% nas taxas cobradas para crédito através das operações de cheque especial. De acordo com estudo divulgado hoje pelo Banco Central sobre juros e spread bancário no Brasil, a diferença entre o custo de obtenção de crédito pelos bancos e o valor cobrado do tomador final chega até 400%. "Há um exercício de poder de mercado da instituição sobre o cliente cativo", analisou Alexandre Tombini
chefe do Departamento de Pesquisa Econômica do Banco Central.
Tombini lembrou que enquanto a taxa média de custo de captação das instituições, no período de maio a julho deste ano, ficou em 1,60% ao mês, o spread cobrado pelos bancos do tomador final foi de 7,30% ao mês, ou 157% ao ano.
De acordo com o estudo, o elevado valor do spread cobrado não tem correspondência com o risco de crédito ou com os custos administrativos das instituições. "O acesso às operações de cheque especial normalmente é concedido apenas a clientes ditos especiais, com bom cadastro junto aos bancos, o que teoricamente afasta a hipótese de elevada inadimplência e da necessidade de grandes acréscimos a título de risco de crédito", justificou a Autoridade Monetária no estudo divulgado hoje.
Para o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, as medidas anunciadas para reduzir os juros cobrados do tomador final permitirão uma redução nos ganhos dos bancos. "Eles poderão ter taxas de lucro normais e não taxas incríveis com neste caso do cheque especial", disse. Para Fraga ,as taxas cobradas atualmente nestas operações são "elevadíssimas" e precisam ser melhor explicadas. "É algo que carece de explicação", afirmou.
De acordo com o estudo elaborado pelo Banco Central a inadimplência corresponde a 19% da composição do spread do cheque especial. As despesas administrativas, por sua vez, representam 20%. O Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) representam 18% da taxa de spread e outros impostos indiretos - entre eles a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) - 12%.
Tombini salientou que as taxas cobradas pelo cheque especial são as maiores verificadas em todo o conjunto de taxas médias coletadas pelo Banco Central.
O estudo foi elaborado levando em consideração uma amostra constituída por 17 grandes bancos privados, entre eles o Itaú e o Bradesco, as duas maiores instituições financeiras do País. Os 17 bancos juntos são responsáveis por quase dois terços dos créditos concedidos pelos bancos privados no Brasil.

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