São Paulo, 01 (AE) - Alguns bancos estão revendo os custos dos financiamentos de comércio exterior em função da melhora das renovações de linhas externas. No início de março, uma operação de antecipação de contrato de câmbio (ACC) custava entre 9% e 11% ao ano. Esse intervalo não mudou muito hoje, a diferença é que em fevereiro as taxas tendiam mais para os 11% e atualmente estão mais para os 9% a 10% ao ano, disse o diretor da área Internacional do Unibanco, Carlos Henrique Catraio.
A ligeira queda no custo das operações domésticas é consequência do maior volume das linhas comerciais. Como os meses de fevereiro e março foram críticos em termos de renovação de linhas - a média ficou entre 40% e 50% dos vencimentos - o custo estava exagerado, explica o executivo.
Vale lembrar que no dia 28 de fevereiro o volume das linhas comerciais que financiam as exportações, algo em torno de US$ 40 bilhões, estava entre US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões. Um dos níveis mais baixos dos últimos 10 anos. A melhora substancial do mercado em março muda a tendência do custo, fazendo com que retorne a níveis razoáveis, observa Catraio.
Retomada - O Unibanco, segundo Catraio, conseguiu captar recursos no exterior em volumes superiores ao dos vencimentos previstos para março. O mesmo aconteceu com o Citibank do Brasil
que tinha uma carteira de vencimentos no total de US$ 200 milhões, de acordo com Angelim Curiel, diretor da área de comércio exterior. Isso não significa que tenham conseguido renovar integralmente as linhas que venceram durante o mês. A média das renovações do mercado deve ficar na casa dos 70%, acredita Curiel.
Catraio explica que o Unibanco tinha alguns negócios em andamento de meses anteriores cujo desfecho se deu em março. "Chegamos a recuperar uma parte do que foi embora", disse, otimista quanto à retomada do círculo virtuoso. Ele compara o período atual ao fim de 1995, quando o País começou a receber de volta as linhas comerciais que desapareceram com a falta de confiança desencadeada pela crise do México.
O Unibanco, aliás, está preparando uma captação de um ano, em USCommercial Paper, no valor de no mínimo US$ 100 milhões, que deve estar concluída na metade de abril. Cerca de 70% serão destinados ao financiamento de linhas de comércio exterior e o restante para diversas finalidades.
Custo - Apesar da melhora do cenário externo, os custos continuam salgados. Atualmente está na casa dos 3% ao ano, mais a variação da libor. No fim de dezembro, entretanto, estava abaixo dos 2%, o mercado de linhas de 180 dias. Para efeitos de comparação, antes da moratória russa provocar o terremoto no mercado internacional, em agosto passado, o custo não superava um ponto percentual.
Executivos concordam que o Brasil está reconquistando a credibilidade externa e o compromisso dos bancos internacionais de não reduzir as linhas comerciais está sendo cumprido na medida que demonstram interesse em renová-las.
Segundo Catraio, a relação mudou com bancos de toda parte do mundo, do Japão à Escandinávia, e não apenas nos norte-americanos, que já têm muitos negócios no País. Até bancos de médio porte estão se interessando em emprestar para o Brasil e países da América Latina - como a Venezuela - e do próprio Estados Unidos, da região da Flórida, que antes não emprestavam porque o spread (diferença entre a captação de recursos e o repasse) era baixo. Como agora subiu tornou-se mais atrativo.
O executivo ressalta que a melhora no cenário de curto prazo brasileiro aumenta a predisposição dos bancos internacionais em assumir riscos. Afinal, emprestar dinheiro, agora, significa garantir uma taxa de juros alta por um período de até um ano, o que pode ser um bom negócios com a perspectiva de queda do prêmios embutido no custo dos financiamentos.

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