Bancos registram lucro recorde, diz estudo da Austin Asis
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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por Rodney Vergili 
São Paulo, 08 (AE) - Levantamento realizado pela consultoria Austin Asis demonstra rentabilidade recorde nos balanços dos bancos nos nove primeiros meses de 1999. O lucro líquido acumulado dos nove bancos da amostra passou de R$ 870 194 milhões no balanço de setembro de 1998 para R$ 3,114 bilhões em setembro de 1999, ou seja, as instituições financeiras mais que triplicaram seus resultados nos primeiros nove meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.
Erivelto Rodrigues, diretor da consultoria Austin Asis, diz que o lucro recorde foi uma "anormalidade" provocada pelos altos juros pagos pelos títulos públicos e os ganhos com a desvalorização cambial. Os empréstimos tiveram participação menor na formação do lucro da atividade bancária, uma vez que a inadimplência (atraso nos pagamentos) continua alta (4% do valor da carteira de crédito). Da amostra de nove bancos que já divulgaram seus demonstrativos, duas instituições, o Icatu e o Banespa, saíram do prejuízo para elevados lucros.
A rentabilidade anualizada do Banespa era negativa em 15 31% nos primeiros nove meses de 1998 e passou a positiva em 20 42% no mesmo período de 1999. No caso do Icatu passou de um prejuízo (saldo negativo) líquido (após impostos) sobre patrimônio líquido (recursos próprios) de 0,44% em setembro de 1998 para uma lucratividade de 37,81% em 1999. O Bradesco - maior banco privado do País - manteve sua rentabilidade de 14%, enquanto o Itaú ampliou a lucratividade de 17,58% em setembro de 1998 para 33,43% em setembro de 1999.
Essas rentabilidades estão longe da média histórica de 12% do sistema bancário. Os ganhos dos bancos com a desvalorização cambial explicam boa parte da lucratividade das instituições financeiras neste ano. Alguns bancos apresentaram rentabilidade superior a 40%, como o ING (65,52%), Rural (40 10%) e Sofisa (44,7%). Rodrigues diz que parte do resultado recorde "deriva de créditos tributários que, em alguns casos, representam mais de 50% do resultado do banco".
Segundo ele, esse resultado dificilmente se repetirá nos próximos anos, por causa da queda das taxas de juros, aumento da competitividade e queda nos "spreads" (ganhos) nas operações de crédito. Para Rodrigues, isso fará com que os bancos "deixem de pensar só na margem da operação para priorizar a escala, como em outros países".
Itaú x Bradesco - O Banco Itaú registrou lucro líquido de R$ 1,45 bilhão nos primeiros nove meses de 1999. O resultado foi o dobro do obtido pelo Bradesco, maior banco privado do País
que registrou lucro líquido de R$ 739,8 milhões no mesmo período. O diretor da consultoria Austin Asis diz que metade do lucro do Banco Itaú veio dos investimentos em dólares no exterior (Argentina, Portugal, Nova York), que foram convertidos em mais reais após a liberalização cambial em janeiro de 1999.
O Itaú registrou ganho também em suas operações de tesouraria, com aplicações em títulos públicos. Rodrigues afirma que os resultados do Bradesco vieram mais de operações de crédito, que registraram menores ganhos que os proporcionados pelos títulos públicos atrelados ao câmbio. A rentabilidade (ganho) anualizada líquida sobre o patrimônio líquido (recursos próprios) do Itaú foi de 33,43% nos primeiros nove meses de 1999
contra 14,27% do Bradesco. (RV) Banespa - O Banespa evoluiu de um prejuízo líquido de R$ 415,67 milhões nos primeiros nove meses de 1998 para um lucro líquido de R$ 749,46 milhões no mesmo período deste ano. Rodrigues diz que os resultados do ano passado foram prejudicados por perdas da instituição financeira federalizada com títulos da dívida externa brasileira ("bradies") e com as ações da Cesp.
A elevação nos juros do mercado financeiro no início de 1999 colaborou para o melhor resultado da instituição financeira. Segundo Rodrigues, há expectativa de que o Banespa seja privatizado no primeiro semestre de 2000 e que o governo federal adquira os 16% de participação que o governo estadual ainda possui no capital da instituição. Rodrigues acredita ainda que seja formada empresa de propósitos específicos (Banespa 2) em que seriam direcionados os "problemas" do Banespa, como a multa de R$ 2,8 bilhões aplicada pela Receita Federal.


