Brasília, 12 (AE) - O relator da CPI do Sistema Financeiro, João Alberto Souza (PMDB-MA), informou que os dirigentes dos bancos que tiveram grandes ganhos com a desvalorização do real em janeiro passado serão chamados para depor na comissão. Os depoimentos, segundo João Alberto, começarão em duas semanas, depois que a CPI ouvir o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel.
João Alberto explicou que para listar os bancos, a CPI vai fazer uma estatística sobre os dados de lucros e sobre como essas instituições se comportaram antes e depois da desvalorização. "Vamos ouvir os morgans e os pactuais da vida"
disse o relator. Segundo ele, esses depoimentos vão integrar a segunda fase de investigação da CPI, que começará com o depoimento de Everardo Maciel e vai apurar as instituições que tiveram grandes ganhos, além de eventuais sonegações de impostos por parte de bancos.
João Albert o disse que o depoimento de Maciel vai permitir à CPI convocar os bancos porque, segundo João Alberto, Maciel levará informações sobre como os bancos agem em relação ao pagamento de tributos. O relator disse ainda não ter uma lista definida dos bancos a serem chamados, mas que é provável que sejam os bancos citados no "fato determinante número 7 da CPI"
que trata de sonegação de impostos. Estes bancos são: Citibank, JP Morgan, Deutsche Bank, Credit Suisse First Boston e Credit Comercial de France. João Alberto, no entanto, deixou claro que a lista não está pronta. O relator também declarou que os grandes ganhos dos bancos valem para qualquer tipo de operação e não apenas para aquelas conseguidas nos mercados futuros. Segundo o relator, o depoimento de Everardo "vai dar o roteiro, vai dar a luz" para a CPI.
João Alberto Souza afirmou que é cedo para dizer que a comissão está caminhando para seu desfecho. "Ainda temos 90 dias de chão." Ele disse que a CPI está buscando um fato concreto que possa provar as irregularidades que levaram a criação da própria comissão. "Vamos buscá-lo", disse o relator
afirmando que a CPI tem duas vertentes de atuação: a primeira é normativa, que vai gerar projetos para melhorar o Banco Central e o sistema financeiro; a segunda é a investigação judicial, cujos resultados serão encaminhados ao Ministério Público e à Justiça.
Segundo o relator, até agora, a CPI não encontrou este fato concreto, mas ele acredita que a comissão o encontrará. Lembrou que a CPI que investigou as irregularidades relativas ao tesoureiro do ex-presidente Collor, Paulo César Farias, ficou dois meses sem ter fatos nov os. "Nós já caminhamos muito."

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