Bancos projetam inflação maior para este ano
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Tatiana Bautzer, Isabel Braga e Márcia de Chiara 
São Paulo, 20 (AE) - Bancos e consultorias estão revisando previsões de inflação para o ano, por causa do índice de inflação da Fipe, acima das expectativas, e da contínua alta nos preços do atacado, provocada pela subida do dólar. A alteração ocorre nas previsões para o IGP-M, que sofre influência grande dos preços do atacado, e para o IPC da Fipe, que surpreendeu ao registrar 1,13% na segunda quadrissemana de outubro. As previsões para o IPC-A, índice usado para medir metas de inflação, continuam inalteradas.
O próprio governo já admite preocupação. Hoje, durante encontro com empresários em Brasília, o presidente Fernando Henrique Cardoso apelou a empresários para que evitem repassar "aumentos injustificáveis" aos preços dos produtos em razão da alta do dólar.
O Banco Bilbao Vizcaya mudou sua previsão para o IGP-M em 99 de 15,5% para 16,6% e para o IPC da Fipe de 6,5% para 7 3%. A previsão para o IPC-A continuou estável em 7,7%. "Fizemos a revisão por causa da pressão nos preços do atacado e um repasse um pouco maior que está sendo constatado", diz o economista-chefe do banco, Octávio de Barros. Ele acredita no cumprimento da meta de inflação para 99.
A economista Rita Rodrigues, da consultoria Tendências, mudou a expectativa para a Fipe de 7,5% para 8% em 99 e para o IGP-M de 17,2% para 17,7%. Ela afirma que a mudança na previsão para o IGP está sendo feita por conta dos aumentos de produtos industriais no atacado, como resposta à alta dos custos nos últimos meses e reflexo da desvalorização cambial.
No caso da Fipe, o motivo da alteração é o impacto das altas da carne e do álcool. Mas Rita acredita que a alta da Fipe é isolada entre os índices de varejo e reflete uma situação específica de São Paulo. Por isso, ficou inalterada a previsão do IPC-A, que mede a inflação de varejo em várias regiões do País. A Unibanco Asset Management (UAM) vai revisar suas estimativas. Relatório do Banco Santander aponta preocupação com a alta de preços no atacado. Os analistas dizem que a alta do IGP-M provoca preocupações sobre o comportamento futuro da inflação, mas continuam acreditando no cumprimento da meta para o IPC-A.
O coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo, não espera grande elevação no índice. A mudança da cotação do dólar de R$ 1 80 para R$ 2,00 é menos relevante para os preços no curto prazo do que em janeiro, quando o dólar saiu de R$ 1,20 para R$ 1,80. A recuperação da demanda no fim de ano, acredita Heron, não significará repasses de imediato para os preços. Os aumentos de preços sinalizados pelas empresas "são mais uma intenção do que uma verdade".


