Paris, 14 (AE) - O presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, após ter participado de diversas reuniões fechadas com investidores, divididos em grupos de até 60 representantes de bancos de investimentos, entre eles o Chase Manhattan e o JP Morgan, revelou não ter constatado nenhuma preocupação especial dessas áreas em relação às metas fixadas no acordo com o FMI. Nem mesmo com o excedente comercial de US$ 11 bilhões que certas áreas financeiras consideram "pretensioso". Segundo Armínio Fraga, o modelo adotado pelo governo aponta para esse resultado. "Em alguns países existem bancos achando que esse superávit poderá ser ainda maior, alcançando US$ 14 bilhões", diz.
Esses encontros com investidores ocorridos no Palácio do Congresso, em Paris, contribuíram para que Fraga pudesse sentir mais de perto a posição atual do mercado em relação ao Brasil . "O mercado está cauteloso, prudente, mas já está olhando para a direção certa e mesmo se ainda não começou a andar nessa direção
pelo menos ele não mais está correndo na direção contrária", analisa. Armínio Fraga participou também do encontro entre o ministro da Fazenda, Pedro Malan e o vice secretário do Tesouro norte americano, Lawrence Summers. Ele revelou que o interesse dos EUA era saber até que ponto o programa havia recebido o apoio da comunidade bancária privada européia, após as reuniões desses últimos dias.
Armínio Fraga admite estar lisonjeado pelas declarações de alguns banqueiros, incluindo os do Deutsche Bank, até então o mais crítico em relação à política brasileira. Eles anunciaram que estão revendo sua posição em relação ao Brasil após sua nomeação. Fraga admitiu que os investidores estão com suas carteiras pouco concentradas no Brasil, mas que a disposição da equipe econômica é reverter esse quadro, até porque a participação brasileira no mercado está menor do que deveria.
A seu ver, isso se deve à redução de posições nos países emergentes e, nesse contexto, à própria perda de posição do Brasil em relação aos demais países emergentes. Esse aspecto pode ser negativo, mas não deixa de ter um lado positivo, segundo Fraga. "Do ponto de vista técnico, essa não chega a ser uma má noticia na medida que revela que os investidores tem espaço no Brasil."
O presidente do Banco Central diz que os investidores querem ver a inflação cair, a reforma fiscal implementada e a balança comercial positiva. Quando isso ocorrer, as taxas de juros devem também ser reduzidas. A cotação do dólar não chega a ser um problema tão importante quanto o da inflação, na sua avaliação.
Uma análise dos três grandes problemas - fiscal, monetário e balanço de pagamentos -, revela que se houver êxito no seu equacionamento haverá também espaço para a queda do juro real. Na sua opinião, não existem mais razões para ter medo do déficit fiscal, nem ameaça de desvalorização que era uma fonte de instabilidade.

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