Bancos passarão a recolher compulsório sobre "trava de câmbio" a partir de 12 de abril
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Vânia Cristino e Gustavo Freire 
Brasília, 31 (AE) - A partir do dia 12 de abril os bancos passarão a recolher, em títulos públicos federais, o compulsório de 15% sobre as operações conhecidas como "trava de câmbio".
A alteração foi promovida nesta quarta-feira (31) pelo Banco Central. Segundo o chefe do departamento de Operações Bancárias (Deban), Gustavo da Matta Machado, até lá o compulsório continuará a ser recolhido em espécie e sem remuneração dos recursos depositados no BC. Segundo Matta Machado o BC quer, com a medida, incentivar esse tipo de operação nos bancos, abrindo uma oportunidade adicional para os exportadores. Isso poderá ocorrer porque os bancos, com a possibilidade de recolher o compulsório em títulos, poderão ficar mais interessados em oferecer esse tipo de serviço aos seus clientes.
O chefe do departamento explicou que a operação de "trava de câmbio" é feita quando o exportador vai ao banco, contrata o câmbio, mas não recebe os reais correspondentes. Com o crédito do exportador em mãos, o banco faz negócios, transforma os dólares do contrato em reais, aplica os recursos e se compromete a pagar um prêmio ao exportador depois.
De acordo com Matta Machado os bancos estavam deixando de fazer essa operação justamente porque o compulsório, em espécie, não era remunerado. "Com o compulsório em espécie, alguns bancos não achavam vantajoso fazer esse tipo de operação", admitiu Machado. Ele afirmou que a troca não resultará em nenhum impacto no nível de liquidez da economia, uma vez que a liberação dos recursos em espécie será anulada pelo recolhimento do compulsório em títulos públicos.
Segundo levantamento feito pelo BC, o volume dessas operações no mercado vinha caindo bastante, estando o estoque em torno de R$ 350 milhões. O volume de compulsório recolhido sobre esse estoque está hoje em aproximadamente R$ 52 milhões.


