Bancos oferecem cada vez melhores condições ao País, diz BC
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 31 (AE) - Nos últimos dez dias, as ofertas de bancos de investimentos internacionais para o Brasil lançar títulos no exterior mudaram. Segundo o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, as novas ofertas têm melhores condições e menos exigências daquelas feitas há um mês pelas mesmas instituições. "Os ventos estão soprando", comemorou o diretor.
Com o retorno ao mercado de capitais, que está previsto para este mês, o que significa exatamente um ano do último lançamento do governo, Gleizer disse que quer indicar parâmetros ao setor privado.
Na avaliação do diretor, isso permitirá que as empresas possam captar recursos no exterior pagando taxas mais baixas. Ele disse também que, dentro da nova política de emissões, estas serão regulares e com papéis de médio e longo prazo.
No momento, no entanto, o diretor descartou a chance de um título mais longo. "O mercado está mais hostil do que há dois anos", afirmou referindo-se ao período em que o governo brasileiro chegou a colocar títulos com prazo de 30 anos no exterior. O chamado Brasil-27.
Gleizer não falou sobre o mercado do lançamento, nem sobre o prazo exato do papel. Segundo ele, isso daria condições para o mercado se armar e exigir um preço. E a idéia, ressaltou, é pagar o menor preço possível escolhendo propostas e cumprindo os objetivos. "Falar sobre as condições do papel seria como atirar no próprio pé", destacou.
Ele garantiu que, com o câmbio flutuante, as reservas internacionais deixaram de ser um critério fundamental para a captação do governo. Na avaliação do BC, o atual nível de divisas, no total de US$ 34,5 bilhões, é suficiente para o País num regime de câmbio flutuante.
Isso porque o Banco Central não precisa de muita bala na agulha para defender uma cotação. "Queremos também aumentar as reservas, mas com prudência", disse Gleizer.
Até agora, na avaliação do diretor, a política de captação do governo era oportunista. Baseada somente na melhor oportunidade em relação a preço enquanto a nova estratégia considera os diversos fatores.
Gleizer destacou ainda que o Brasil poderá seguir um programa de emissões. Segundo o diretor, o programa já está sendo montado por uma equipe técnica do BC junto com o Tesouro Nacional.


