Bancos mudam critérios para empréstimos
Brasília, 22 (AE) - Os bancos vão mudar completamente sua estrutura de classificação de crédito e de provisionamento para empréstimos duvidosos, a partir do dia 1º, passando a avaliar os tomadores de empréstimo de acordo com sua capacidade de pagamento, em vez de considerar unicamente o histórico de atrasos e não-pagamento.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, explicou hoje que o objetivo das novas normas, contidas na Resolução nº 2.682, é selecionar os tomadores de crédito para garantir o retorno dos pagamentos. Assim, o novo enfoque na administração do risco de crédito contribuirá para reduzir a inadimplência, aumentar a oferta de crédito e, consequentemente, reduzir as taxas de juros para o consumidor, pessoa física ou jurídica, não havendo, portanto, motivo para a nova classificação do crédito implicar aumento dos juros nos empréstimos bancários.
"A reclasssificação de crédito não provoca aumento de custo, mas sim da capacidade de o sistema oferecer créditos à sua clientela", afirmou Figueiredo, que estima um aumento de até 40% das operações de crédito e queda significativa dos juros.
Ele admitiu, no entanto, que as taxas não devem igualar-se às cobradas em países como os Estados Unidos, onde o spread para pessoa física fica em torno de 20% a 25%, enquanto no Brasil a taxa diferencial é de 43%, em média.
O novo sistema dividirá os tomadores de empréstimos em nove categorias, considerando o tipo de operação de crédito (leasing, cheque especial, capital de giro e desconto de duplicata), o prazo, o montante e as garantias envolvidas. Dependendo dessas variáveis, uma dada operação poderá exigir provisionamento já no 15º dia de atraso, explicou Figueiredo.
Por isso, segundo o diretor de Política Monetária, o novo sistema de classificação de créditos beneficiará tomadores de empréstimo bancário com seus compromissos em dia. O sistema anterior de classificação de crédito, que determinava provisões para empréstimos duvidosos somente após 60 dias de atraso, acabava prejudicando os bons pagadores. Não havia nenhum tipo de classificação positiva, só negativa, dos maus pagadores, que, segundo os bancos, são responsáveis, em parte, pelo largo spread cobrado indiscriminadamente de todos os tomadores de empréstimos.





